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Padre em tratamento recebe oferta de morte assistida no Canadá

O padre Larry Holland, de Vancouver, cidade localizada na província da Colúmbia Britânica, no Canadá, afirmou ter recebido duas ofertas de morte assistida de profissionais de saúde enquanto se recupera de uma fratura no quadril no Hospital Geral de Vancouver (VGH).

Segundo o padre, as ofertas foram feitas mesmo com os profissionais sabendo que ele era sacerdote católico e contrário ao procedimento – uma prática que, de acordo com críticos, vem se ampliando à medida que médicos são cada vez mais incentivados a falar sobre o tema com pacientes.

“Há coisas que simplesmente não se dizem a certas pessoas”, disse o padre Holland, que, além de atuar em diversas paróquias da Arquidiocese de Vancouver, também possui formação em capelania hospitalar.

Ele relatou como reagiu quando um médico mencionou a possibilidade de recorrer ao procedimento conhecido no Canadá como Assistência Médica para Morrer (MAID, na sigla em inglês), caso seu quadro de saúde se agravasse. “Fiquei muito chocado”, afirmou. “É um assunto extremamente sensível”, acrescentou.

Holland, de 79 anos, está em recuperação no hospital após sofrer uma fratura no quadril ao cair no banheiro, em dezembro de 2025, no dia de Natal. Em entrevista ao jornal The B.C. Catholic, ele afirmou que recebeu as duas ofertas de morte assistida de dois profissionais de saúde da unidade, apesar de ser conhecido como padre católico e de não ter diagnóstico de doença terminal.

Ele relatou que a primeira menção ao procedimento, feita por um médico, o deixou “sem palavras” por alguns instantes. Em seguida, o profissional falou novamente sobre o tema com ele, dizendo que isso se trata de “algo que eles precisam discutir com pacientes que recebem um diagnóstico terminal”, ainda que esse não fosse o caso do sacerdote. Holland disse que respondeu ao médico que é moralmente contrário à eutanásia. O profissional, então, afirmou que queria “apenas garantir” que, caso surgisse um diagnóstico desse tipo, ele estivesse ciente dos “serviços disponíveis”.

Semanas depois da primeira sugestão de morte assistida, uma segunda oferta foi feita por uma enfermeira que, segundo o padre, parecia desconfortável ao abordar o tema e possivelmente agia por “compaixão” diante das dores que ele enfrentava.

“É uma falsa compaixão, na verdade”, afirmou o padre Holland.

Um porta-voz da Vancouver Coastal Health, responsável pela administração do hospital VGH, disse ao jornal The B.C. Catholic que “os profissionais podem considerar mencionar a morte assistida com base em seu julgamento clínico, desde que tenham o conhecimento e as habilidades necessárias para isso”. Ainda segundo o porta-voz, os profissionais também têm a responsabilidade de responder às perguntas dos pacientes quando o assunto é levantado.

O caso envolvendo o padre ocorre no momento em que o Canadá se aproxima da marca de 100 mil mortes por MAID.

O padre Larry Lynn, capelão pró-vida da arquidiocese, afirmou ter ficado chocado ao saber do caso envolvendo Holland. “Este é certamente um dos exemplos mais alarmantes do regime coercitivo e insensível de eutanásia no Canadá”, disse.

Ele afirmou ser perturbador que um profissional de saúde sugira o MAID a qualquer paciente – especialmente quando se trata de um religioso consagrado, conhecido por sua oposição moral ao procedimento. “Isso coloca o médico no papel do diabo, tentando uma pessoa vulnerável ao pecado mortal”, disse Lynn.

O capelão também demonstrou preocupação com o fato de profissionais de saúde do Canadá não estarem descartando iniciar esse tipo de conversa com pacientes católicos.

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Canadian priest offered euthanasia twice while recovering from hip fracture

Autor: Gazeta do Povo

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