
O juiz Kenneth Karas, do Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York, divulgou nesta quarta-feira (6) uma suposta carta de suicídio do financista pedófilo Jeffrey Epstein, que teria sido redigida por ele durante uma primeira tentativa de se matar em julho de 2019, menos de duas semanas antes de sua morte oficialmente reconhecida, em agosto. O documento foi tornado público após pedido do jornal The New York Times ao tribunal.
Epstein foi preso em 6 julho de 2019 e acusado de tráfico sexual de menores. Em 10 de agosto de 2019, ele foi encontrado morto em sua cela no Centro Correcional Metropolitano de Manhattan – morte oficialmente classificada como suicídio. Investigadores federais concluíram, em 2023, que o caso envolveu uma série de negligências e erros graves por parte dos funcionários da prisão.
A carta, escrita à mão em um pedaço de papel, não foi autenticada. Segundo informações da agência Reuters, o documento foi encontrado pelo ex-companheiro de cela de Epstein, Nicholas Tartaglione – ex-policial condenado a quatro penas de prisão perpétua consecutivas por assassinatos relacionados ao tráfico de drogas -, que afirmou ter localizado o material dentro de um livro na cela que os dois compartilhavam. Acredita-se que a carta tenha sido escrita durante a primeira tentativa de suicídio de Epstein: em 23 de julho de 2019, ele foi encontrado inconsciente na cela, com marcas no pescoço e um pedaço de tecido laranja ao redor dele. Epstein sobreviveu ao episódio, mas morreu menos de três semanas depois, em 10 de agosto, em uma nova tentativa de suicídio – segundo as autoridades – na mesma prisão.
Na carta, Epstein critica a investigação contra ele e celebra a possibilidade de controlar o próprio fim.
“Me investigaram durante meses, NÃO ENCONTRARAM NADA!!!”, diz um trecho, conforme imagem divulgada nos autos do processo. Em seguida, o texto acrescenta: “É um privilégio poder escolher o momento para dizer adeus.” A carta termina com as frases: “O que vocês querem que eu faça, que eu desabe em prantos!! SEM GRAÇA, NÃO VALE A PENA!!”
O juiz Karas autorizou o acesso público ao documento por entender que não havia nenhuma justificativa legal para mantê-lo sob sigilo. O magistrado não se pronunciou sobre a autenticidade do material nem analisou como ele foi obtido ou preservado até chegar ao processo, por considerar que esses pontos não eram relevantes para decidir se o documento deveria ser divulgado.
Segundo a NBC News, o advogado de Tartaglione, Bruce Barket, afirmou que sua equipe nunca autenticou formalmente a carta, mas que ficou “confortável” com a ideia de que o documento era de Epstein, em parte por semelhanças com outra suposta carta do financista exibida pelo programa “60 Minutes“, da emissora CBS, onde também foi encontrada a frase “SEM GRAÇA!!”.
A carta não estava entre os milhões de páginas de documentos relacionados a Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça entre dezembro e janeiro deste ano. O Departamento afirmou, em nota, que conduziu um “esforço exaustivo” para reunir todos os registros em sua posse – chegando a quase 3 milhões de páginas produzidas.
Autor: Gazeta do Povo








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