Eu sei disso, você sabe disso: no ataque, a seleção brasileira tem ótimos pontas (Vini Jr., Estêvão, Raphinha) e ótimos “falsos 9” (Rodrygo, Matheus Cunha, João Pedro) que podem recuar para armar jogadas –função na qual Neymar se encaixa–, fazer tabelas, arriscar de média distância.
O que falta (eu sei disso, você sabe disso) no ataque é um centroavante, um homem de área, um autêntico camisa 9, alguém que, atuando conforme exige o futebol moderno, seja capaz de finalizações rápidas e precisas.
Carlo Ancelotti, que comanda a seleção, está em busca de alguém assim. Se não para jogar sempre com ele, para ter opção de, a depender do adversário ou do que a partida exige (independentemente do adversário), recorrer a ele.
Não temos um Ronaldo Fenômeno (o 9 do pentacampeonato, em 2002), um Romário (o 9, jogando com a 11, do tetra, em 1994). Ganhamos Copa com centroavante nato (Vavá, 1958 e 1962) e sem um (Tostão, 1970).
Não é o que determina o sucesso, mas, em um elenco com 26, considero vital ter um centroavante, idealmente dois. Se desnecessário, não precisa jogar. Porém pode ser ele a resolver um jogo.
Carletto vem tendo dificuldade para achar essa figura, o 9. Elogiou Pedro (Flamengo), Richarlison (Tottenham, que é “homem de confiança”, treinado por ele em outro clube inglês, o Everton), Igor Jesus (do inglês Nottingham Forest). Os dois últimos tiveram chance na era Ancelotti; o primeiro, por lesão, ainda não.
Pois o “ainda não” terá de ser ampliado no radar do italiano. O momento tem grande relevância no futebol, e o momento joga as luzes sobre um centroavante: Igor Thiago, do inglês Brentford.
Quem é esse?, perguntará quem não é espectador assíduo do Campeonato Inglês.
O gamense Igor Thiago, 24 anos e 1,91 m, passou pelo Cruzeiro antes de, em 2022, migrar para a Bulgária. Foi artilheiro. Transferiu-se para a Bélgica. Foi artilheiro. Seus gols propiciaram a ida para a Inglaterra. Não para um gigante, mas para o modesto Brentford, que vive fase imodesta devido ao goleador brasileiro.
Em 21 jogos no Inglês, 16 bolas na rede (46% do total do time). Com o pé direito, com o esquerdo, de cabeça, de pênalti. Vice-artilheiro da competição, atrás do norueguês Haaland (20 gols).
O Brentfod agradece: em quinto lugar, é o segundo melhor dos sete londrinos, atrás só do líder Arsenal, vendo pelo retrovisor o Chelsea.
Igor Thiago, pelo que tem mostrado, é superior a Pedro, a Richarlison, ao xará Jesus e a qualquer outro.
Sabe jogar com o time pressionando tendo a posse de bola –com presença de área e capacidade de antecipação aos zagueiros– ou contra-atacando (Pedro é falho aqui), posicionando-se em espaços livres.
Finaliza sem demora e tem tido boa mira: 55% de suas tentativas vão na direção do gol, contra 36% das de Richarlison e 18% das de Jesus.
É alto (mais que Pedro, Richarlison e Jesus) e forte, faz decentemente o pivô, sabe exercer marcação por pressão (outro ponto fraco de Pedro).
Hoje, é o mais recomendável. Mantendo-se assim, merece vaga na Copa deste ano, em junho na América do Norte. O que lhe falta? Ser convocado e ter oportunidade de, com a camisa amarela, fazer o que faz no clube.
Há dois amistosos em março (França e Croácia), excelentes testes. Chame-o, Carletto.
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Autor: Folha





