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Argentina acusa OMS de usar hantavírus para pressionar o país

O Ministério da Saúde da Argentina, sob o governo do presidente Javier Milei, acusou nesta quinta-feira (7) a Organização Mundial da Saúde (OMS) de utilizar os casos de hantavírus registrados no cruzeiro MV Hondius para pressionar o país a rever sua saída da entidade. Em comunicado, a pasta afirmou que a OMS tenta usar um “evento sanitário extraordinário” para condicionar “uma decisão soberana do governo argentino”.

A reação ocorreu depois de o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, pedir que Argentina e Estados Unidos reconsiderem a decisão de deixar a organização. Segundo Tedros, “a universalidade” é importante para a segurança sanitária porque “os vírus não se importam” com política, fronteiras ou justificativas nacionais.

O governo Milei respondeu que a Argentina mantém cooperação internacional em saúde, mas sem abrir mão da autoridade para definir suas próprias políticas sanitárias. “A Argentina não precisa pertencer à OMS para trabalhar com outros países”, afirmou o Ministério da Saúde no comunicado.

Segundo a pasta, o país tem “capacidade sanitária, técnica e decisão política” para proteger sua população. O ministério também informou que segue mantendo vínculo técnico com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em âmbito regional e cooperação com outros países quando necessário.

O caso envolve o navio MV Hondius, que partiu do porto de Ushuaia, no sul da Argentina, em 1º de abril. De acordo com o Ministério da Saúde argentino, foram confirmados oito casos de hantavírus entre passageiros e tripulantes da embarcação, com três mortes. A variante identificada corresponde à cepa Andes, presente em áreas da Patagônia argentina, como Chubut, Río Negro e Neuquén, além do sul do Chile.

Apesar da ligação investigada com o cruzeiro, o governo argentino afirmou que, até o momento, não foram identificados casos associados ao surto dentro do país. A pasta disse que mantém monitoramento epidemiológico preventivo, troca informações com outros governos e trabalha com as autoridades locais para reconstruir o percurso dos primeiros casos.

Segundo o Ministério da Saúde, a Argentina também acionou uma frente de cooperação com países envolvidos na investigação do surto, como Espanha, Senegal, África do Sul, Países Baixos e Reino Unido. A pasta informou que enviará material técnico a laboratórios desses países para permitir a realização de cerca de 2,5 mil testes diagnósticos.

Entre os insumos estão amostras de RNA do vírus Andes – material genético usado como referência para identificar o hantavírus em exames laboratoriais – e placas de ELISA, um tipo de teste utilizado para detectar no sangue a presença de anticorpos contra o vírus. O governo argentino também afirmou que enviará guias de diagnóstico e protocolos de tratamento para orientar o manejo dos casos.

A pasta afirmou que a assistência internacional demonstra que a saída da OMS não impede a cooperação técnica. Para o governo Milei, o episódio mostra que colaboração sanitária entre países não deve ser confundida com subordinação política a organismos internacionais.

“A OMS volta a colocar a política acima da evidência e tenta usar um evento sanitário extraordinário para condicionar uma decisão soberana da Argentina”, disse o Ministério da Saúde argentino.

O governo também afirmou que sua posição “não muda” e voltou a criticar a atuação de organismos internacionais, entre eles a OMS, durante a pandemia de covid-19. Segundo o comunicado, entidades financiadas por todos e que apoiaram “medidas sanitárias ruinosas” deveriam explicar seus erros antes de tentar impor condições a um país soberano.

A Argentina concluiu oficialmente sua saída da OMS em 17 de março. A decisão havia sido anunciada em fevereiro de 2025 pelo governo Milei, que citou “profundas divergências” com a condução da organização durante a pandemia. Os Estados Unidos também formalizaram sua retirada da entidade em janeiro.

VEJA TAMBÉM:

  • Surto de hantavírus que matou três em cruzeiro pode ter começado com observação de pássaros na Argentina

  • Três pessoas morrem em cruzeiro e OMS investiga surto de hantavírus

Autor: Gazeta do Povo

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