sábado, maio 30, 2026
14.4 C
Pinhais

EUA atacam navio mercante e Irã reivindica controle de Ormuz

Forças dos Estados Unidos informaram ter atacado neste sábado (30) um navio comercial que tentava quebrar o cerco de Washington aos portos iranianos perto do Estreito de Ormuz. Teerã respondeu subindo o tom, dizendo que a passagem estratégica está sob seu “controle total”. As informações foram divulgadas pela agência de notícias EFE. Não há informação de feridos.

De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), as forças americanas identificaram o navio mercante M/V Lian Star navegando por águas internacionais no Golfo de Omã em direção a um porto iraniano, segundo a EFE.

VEJA TAMBÉM:

  • Trump anuncia ataques de navios comerciais no Irã

  • Emirados Árabes ausam Irã de terrorismo

O Centcom informou que emitiu “mais de 20 advertências” alertando a embarcação de que ela estava violando o bloqueio imposto por Washington. Com este incidente, as forças americanas somam cinco navios comerciais inutilizados e 116 desviados desde o início do cerco a Teerã.

Como os avisos foram ignorados, uma aeronave dos EUA disparou contra a sala de máquinas do navio, deixando-o “inutilizado”. “O navio deixou de navegar em direção ao Irã”, declarou o Centcom em comunicado oficial.

A embarcação operava com bandeira da Gâmbia. Embora não seja uma das bandeiras de conveniência mais tradicionais do setor marítimo, como as de Libéria ou Panamá, o país africano possui um registro aberto, o que permite a inscrição de barcos sem uma ligação direta com a nação.

Teerã diz ter “Controle total”

Também neste sábado, as Forças Armadas do Irã subiram o tom e alertaram que qualquer tentativa de interferência militar na rota marítima receberá uma resposta contundente.

“A gestão do Estreito de Ormuz pelas Forças Armadas da República Islâmica do Irã é exercida com plena autoridade”, afirmou o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, em comunicado reproduzido pela agência estatal Tasnim e obtido pela EFE.

As autoridades iranianas enfatizaram que todos os navios, comerciais ou petroleiros, são obrigados a transitar pelas rotas designadas e a obter autorização prévia da Marinha da Guarda Revolucionária. O descumprimento, segundo Teerã, colocará em “grave risco” a segurança da navegação. O Irã também enviou um aviso direto aos EUA, afirmando que qualquer embarcação militar que tente interferir na gestão do estreito será considerada um alvo legítimo.

Para consolidar sua posição, a Autoridade do Golfo e do Estreito de Pérsico (PGSA) — órgão criado pelo Irã para gerenciar o tráfego local — publicou recentemente um mapa detalhando sua “jurisdição” e as zonas que exigem permissão prévia para trânsito.

Impasse econômico e as negociações de paz

O conflito, que já se estende por mais de três meses, começou após ataques dos EUA e Israel contra o Irã no dia 28 de fevereiro. Como retaliação, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, uma artéria vital por onde passavam 20% do petróleo e do gás mundiais antes da guerra. Em resposta, o presidente americano, Donald Trump, impôs o cerco naval aos portos iranianos em abril.

A reabertura do estreito tornou-se o ponto central e mais complexo das negociações de paz mediadas pelo Paquistão. Ao mesmo tempo que Washington exige do Irã a retirada de minas marítimas da via e a abstenção de taxas, Trump declarou publicamente que não aceitará um acordo que conceda o controle exclusivo do estreito ao Irã.

A posição do Irã foi de propor a cobrança de um pedágio. Recentemente, reformulou a retórica, alegando que os valores exigidos seriam destinados a “serviços de navegação” e medidas de proteção ao meio ambiente marinho.

Autor: Gazeta do Povo

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas