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Paranaguá está entre as cidades mais violentas do Brasil

Paranaguá, no litoral do Paraná, está entre as cidades mais violentas do Brasil por uma combinação de fatores sociais, urbanos e estruturais ligados à sua posição estratégica no Paraná. Dados do Atlas da Violência deste ano, publicado na última semana, mostram que a cidade registrou taxa de 50,7 homicídios por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média estadual.

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O Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), colocou o município na 26ª posição entre as cidades mais violentas do país em 2024, dado mais recente disponível no levantamento, com 76 homicídios estimados no total.

O índice de homicídios em Paranaguá segue acima da média estadual. Em 2024, o Paraná registrou taxa de 19,5 por 100 mil habitantes, enquanto o município aparece com mais que o dobro desse patamar no mesmo período.

Ao longo da última década, os dados indicam que a cidade manteve níveis elevados de violência, com oscilações, mas sem redução consistente. Nos últimos anos, Paranaguá também voltou a figurar entre os municípios com maiores taxas do país, como em 2022, quando apareceu na 28ª posição no ranking nacional.

Paraná reduz homicídios, mas Paranaguá ainda enfrenta violência elevada

Enquanto Paranaguá manteve índices elevados de violência, o Paraná apresentou redução consistente nos homicídios ao longo dos últimos anos, especialmente na comparação mais recente entre 2022 e 2023, quando houve queda no total de casos e na taxa por 100 mil habitantes.

Apesar da tendência de queda, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (Sesp) afirma que os indicadores mais recentes reforçam a continuidade da redução tanto no estado quanto em Paranaguá.

A pasta informa que o Paraná atingiu o menor patamar de homicídios da série histórica e que 2024 foi o melhor ano já registrado. Segundo a secretaria, a taxa estadual chegou a 9,9 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, com nova queda registrada no primeiro trimestre de 2026.

Em relação a Paranaguá, a Sesp-PR aponta redução contínua nos homicídios nos últimos anos, com 70 registros em 2023, 65 em 2024 e 43 em 2025.

Especialistas apontam porto e disputa do tráfico como fatores da violência em Paranaguá

Patrícia Piasecki, professora do curso de Direito da PUCPR e especialista em segurança pública, afirma que Paranaguá historicamente apresenta índices de violência acima da média estadual por ser uma cidade portuária, cenário que teria se intensificado nos últimos anos com o uso do porto como rota do narcotráfico internacional.

“Por ser cidade portuária, os índices de violência sempre foram acima da média, independente do narcotráfico. Mas nos últimos anos o aumento foi expressivo”, afirma.

Já o doutor em Direito e professor de Criminologia da Universidade Positivo (UP), Flavio Bortolozzi Junior, destaca que o principal fator para a escalada da violência é a disputa entre grupos criminosos pelo controle das rotas do tráfico.

Segundo ele, a disputa envolve facções com atuação nacional e influencia diretamente os índices de homicídios nas cidades estratégicas. Ele também compara o cenário com outras cidades portuárias do país, afirmando que a dinâmica varia conforme o grau de domínio de cada grupo em determinado território — o que ajuda a explicar diferenças nos índices de violência entre cidades como Santos (SP) e Recife (PE). “A disputa intensa pelo controle do tráfico de drogas acaba elevando bastante as taxas de homicídio”, afirma.

Paraná está entre os estados com mais cocaína apreendida pela Polícia Federal

O Paraná aparece como o terceiro estado com maior volume apreendido pela Polícia Federal entre 2013 e 2023, com 6.682,3 quilos.

Grande parte das apreensões de cocaína ocorre em áreas privadas ligadas à operação portuária de Paranaguá, como terminais de contêineres e espaços logísticos no entorno do porto. Em março deste ano, por exemplo, 226 quilos da droga foram apreendidos em um contêiner com madeira para exportação. A cocaína estava escondida em vigas de madeira ocas, e tinha como destino a Itália.

O complexo portuário aparece entre os três com maior volume de cocaína apreendida no Brasil, ao lado de Santos e Recife — cidades portuárias que, no entanto, apresentam cenários distintos de violência. Enquanto Paranaguá registra taxas acima de 50 homicídios por 100 mil habitantes, Santos tem índices bem menores, na casa de 11 por 100 mil, e Recife aparece com taxa superior a 40, segundo o levantamento.

A Receita Federal informa que a fiscalização no porto usa de scanners, cruzamento de dados e monitoramento por câmeras.

Estado e município ampliam investimentos em segurança em Paranaguá

Paranaguá recebeu, segundo a Sesp-PR, reforço recente na estrutura de segurança pública, com a entrega de 15 viaturas, 12 motocicletas e 10 embarcações para atuação no litoral. Segundo a pasta, a medida integra um pacote de modernização da segurança anunciado pelo Governo do Estado. De acordo com a secretaria, o estado também lidera o volume de apreensões de drogas no país em 2025, com mais de 550 toneladas.

A Prefeitura de Paranaguá afirma que os dados mais recentes apontam redução nos homicídios nos últimos anos. A gestão municipal destaca ainda investimentos na área, como a aquisição de novas viaturas, armamentos e a ampliação do sistema de monitoramento por câmeras, que hoje conta com centenas de pontos na cidade.

A Portos do Paraná informou, em nota, que a segurança na área portuária é feita pela Unidade Administrativa de Segurança Portuária (UASP), com apoio de cerca de 75 profissionais efetivos e 130 vigilantes terceirizados. O trabalho inclui controle de acessos, monitoramento por câmeras e patrulhamento terrestre e marítimo.

Segundo a autoridade portuária, a atuação é integrada com Polícia Federal, Receita Federal e demais forças de segurança, com uso de sistemas de monitoramento como a chamada “muralha digital”, que reúne cerca de 500 câmeras na região do porto. A empresa afirma ainda que houve redução nas apreensões de drogas nas áreas sob sua responsabilidade desde 2019 e que o reforço na fiscalização contribuiu para a migração de rotas do crime organizado para outros pontos.

Autor: Gazeta do Povo

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