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Governo acusa Flávio de sabotagem após novas tarifas dos EUA

O governo brasileiro manifestou por meio de nota nesta terça-feira (2) forte indignação pela conclusão preliminar divulgada na segunda pelo governo dos EUA no âmbito da investigação da Seção 301. O Palácio do Planalto entendeu como uma ação “unilateral” e “politicamente motivada”, citando “sabotagem” e culpando diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão do governo Donald Trump, fez um relatório em que recomenda 25% sobre importações de produtos do Brasil, com previsão de exceções. O Executivo brasileiro disse por meio da nota que esta decisão foi motivada por provocações da família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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“Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros, como o pix”, destacou o comunicado do governo. O governo brasileiro ainda subiu o tom ao sinalizar que não aceitará “passivamente” as sanções anunciadas.

A nota oficial destacou que o país está respaldado pela Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e que adotará “toda e qualquer medida”. Mais cedo, Lula deu uma declaração em que chamou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “covarde” em reação ao anúncio dos EUA.

Viagem de Flávio

De acordo com o governo do Brasil, a recente viagem do senador aos EUA – que também é candidato a presidente – atuou contra os interesses do Brasil por razões eleitorais.

Para o governo, as investidas teriam sabotado os esforços diplomáticos bilaterais costurados diretamente entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Flávio já disse que, no encontro com Donald Trump, pediu que o presidente dos Estados Unidos “não aplicasse” taxas contra empresas brasileiras.

Ao contestar a tese de práticas desleais, o governo brasileiro apresentou dados econômicos que demonstrariam uma relação “amplamente favorável” aos Estados Unidos, citando um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos anos.

Dados de 2025

Apenas no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o mercado brasileiro teria superado US$ 14,46 bilhões. Quando incluídos os serviços, o saldo norte-americano salta para US$ 40,52 bilhões.

Também em 2025, 76% das importações vindas dos EUA teriam ingressado no Brasil com tarifa zero. Oito dos dez principais produtos importados (como petróleo, gás natural, carvão e aeronaves) não teriam sofrido com o imposto de importação, resultando em uma alíquota média efetiva de apenas 3,1% sobre os produtos oriundos daquele país.

Impacto no comércio e relações

O Ministério das Relações Exteriores alertou que o principal efeito das eventuais tarifas seria um desgaste da relevância dos EUA como parceiro comercial. O reflexo prático dessa tensão já seria visível nos indicadores econômicos: no primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras teria recuado para 9,4%, o “menor nível de toda a série histórica”.

Apesar do clima de tensão, Brasília ressaltou que as negociações bilaterais continuam em andamento, em conformidade com o que foi acordado entre Lula e Trump em reunião realizada em Washington no último dia 7. O objetivo das equipes técnicas é alcançar uma solução que resulte no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para o próximo dia 15 de julho, sem a aplicação de barreiras alfandegárias.

Autor: Gazeta do Povo

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