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Gleisi e Moro reacendem disputa entre PT e Lava Jato no Paraná

A corrida para as eleições de 2026 no Paraná dá a impressão de que o tempo não passou. De 2018 para cá, muita coisa mudou na política nacional, mas alguns embates e personagens — mesmo que em posições diferentes — se renovam e deixam aquela sensação de déjà vu. No centro da disputa estão o PT, representado pela deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann, e o ex-juiz da Lava Jato e pré-candidato ao governo, o senador Sergio Moro (PL).

“A esquerda derrotará a extrema direita no Brasil e o juiz ladrão do Paraná”. A declaração de Gleisi, no último sábado (30), remete ao período em que Moro, ainda juiz federal, expedia a ordem de prisão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do triplex do Guarujá — a condenação foi anulada em 2021 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Próxima de Lula, Gleisi não poupa críticas a Moro desde a operação Lava Jato na Justiça Federal em Curitiba. Em 2018, ela disse que ele era um “juiz armado de ódio e de rancor” e classificou a detenção do líder petista como “prisão política que reedita os tempos da ditadura.”

Neste ano, o inimigo do PT é o mesmo, mas as circunstâncias são outras: o embate agora é pelo poder local. Gleisi é pré-candidata a senadora e apoia o deputado estadual Requião Filho (PDT) para governador do Paraná. Este cargo é o mesmo almejado por Moro, que precisou trocar o União Brasil pelo PL para confirmar a pré-candidatura, com o aval do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).

Apesar de concorrerem a cargos diferentes, a estratégia de atacar Moro deve perdurar até o pleito de outubro, não apenas para tentar enfraquecê-lo localmente, mas também por causa da aliança com Flávio, principal opositor ao projeto de reeleição de Lula.

“Ele [Moro] acusou o Bolsonaro de interferência na PF. Que queria proteger o filho dele, envolvido com milícias. Saiu do governo e agora voltou. Mostrando que nunca quis combater a corrupção. Sempre foi um projeto de poder. É um biruta de aeroporto”, atacou Gleisi.

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Sergio Moro usa plataforma nacional para criticar PT

Depois da Lava Jato, Sergio Moro foi ministro da Justiça e Segurança Pública de Jair Bolsonaro (PL) e se elegeu senador na sequência. Nesses cargos, o PT sempre foi o alvo principal dele. Na disputa local, não é diferente, mesmo que o adversário direto pelo governo do Paraná esteja no PDT.

“Mesmo com a presença maciça de todos os seus eleitores, o PT teve dificuldades para encher seu evento de sábado no Paraná. Na pauta, as velhas propostas de rever privatizações, defender criminosos e terroristas e demonizar os Estados Unidos, além das mentiras sobre a Lava Jato. O paranaense pode ficar tranquilo, nosso projeto bloqueará as pretensões do PT e de seus aliados no nosso estado”, declarou o senador em resposta às declarações de Gleisi no dia anterior.

Na pesquisa eleitoral mais recente, Moro lidera o cenário de primeiro turno e as simulações de segundo turno. De acordo com levantamento do IRG Pesquisas, divulgado no final de maio, ele chega a abrir mais de 20 pontos percentuais de vantagem sobre Requião Filho na primeira volta e bate o adversário no cenário estimulado de segundo turno.

Para além do quadro local, o senador é um importante ativo para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, amplificando pautas caras à direita e contrapondo-se a Lula. “Graças ao trabalho do Flávio Bolsonaro, houve a colocação do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos. Alguém aqui ficou triste com isso? Alguém aqui defende terrorista? O Lula defende, ele falou isso hoje”, discursou Moro em evento de pré-campanha na última sexta-feira (29), em Curitiba, que contou com a presença de Flávio.

Metodologia da pesquisa citada

  • IRG Pesquisas 21/5/2026: 1.000 entrevistados pelo IRG Pesquisas entre os dias 16 e 20 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3,1 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-06178/2026.

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Ex-procurador da Lava Jato, Dallagnol também reedita disputa contra o PT

A aliança entre PL e Novo, encabeçada por Moro, ainda conta com a pré-candidatura ao Senado do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo). Ele também já entrou em atrito com os petistas paranaenses na pré-campanha. Em maio, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes derrubou uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que determinou multa e exclusão de uma postagem do deputado federal Zeca Dirceu (PT) sobre a situação eleitoral de Dallagnol.

O pré-candidato do Novo classificou a postura do magistrado como “intragável” e acusou-o de permitir a propagação de “fake news”. “O ministro Gilmar Mendes, que vive me atacando e xingando, liberou que
façam fake news contra mim, permitindo que meus opositores mintam,
quando o TSE não me declarou inelegível nem cassou meus direitos
políticos”, rebateu Dallagnol.

Autor: Gazeta do Povo

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