“Pachequei”, falei sozinho.
Dias atrás, fiz uma simulação do resultado da Copa do Mundo na América do Norte, que começa no dia 11.
Resultado de cada um de 72 jogos preenchido, o simulador me levou aos mata-matas. Nesta Copa, com mais seleções (48), haverá uma etapa eliminatória extra. Mata após mata até chegar à final, meu campeão é… o Brasil.
Com três vitórias na fase de grupos (Marrocos, Haiti e Escócia) e cinco êxitos em jogos de vida ou morte, sobrepujando três europeus e um sul-americano até a decisão contra um europeu, veio o sonhado hexa.
O caminho traçado põe a seleção frente à Suécia, dos artilheiros Isak e Gyokeres nos dezesseis-avos de final. Os suecos terminariam em segundo no grupo com Holanda, Japão e Tunísia.
A Suécia é freguesa do Brasil, no geral e em Copas do Mundo. É o adversário que a seleção canarinho mais enfrentou em Mundiais: sete vezes. Foram cinco vitórias brasileiras e dois empates. Passaremos.
Nas oitavas de final, outro país da Europa nórdica, a Noruega (que viria de vitória sobre a Costa do Marfim), do superartilheiro Haaland do capitão Odegaard, meia criativo e articulador (“ritmista“, como dizia Tite) que o Brasil não tem.
Caso aconteça, esse jogo terá um contexto interessantíssimo. A Noruega é a única seleção que jamais perdeu do Brasil (quatro partidas, uma delas na Copa de 1998), entre as enfrentadas. Tchau, tabu. Passaremos.
Nas quartas, a Inglaterra (após eliminar Arábia Saudita e México), de outro superartilheiro, Harry Kane, em mais um teste duríssimo para a dupla de zaga Marquinhos e Magalhães.
Os ingleses estão bem cotados para ganhar esta Copa e derrubar um jejum de 60 anos, porém estiveram igualmente bem cotados em disputas recentes e não chegaram lá. A defesa deles entregará. Passaremos.
Antes de prosseguir, uma curiosidade da seleção contra o English Team. Em Copas do Mundo, foram quatro encontros, sem reveses: na Suécia-1958 (0 a 0), no Chile-1962 (3 a 1, dois gols de Garrincha), no México-1970 (1 a 0, Jairzinho) e na Coreia/Japão-2002 (2 a 1, golaço de falta de Ronaldinho Gaúcho, por cobertura). Sempre que teve os ingleses no percurso, o Brasil ergueu a taça no fim.
Nas semifinais é que são elas: Argentina (depois de ter “matado” Uruguai, Paraguai e Portugal). Atual campeã. Messi ainda estraçalhando. Time megaentrosado,. Goleiro pegador de pênaltis. Catimba em dia.
O calor em Dallas deve ser de 35 graus, com sensação térmica acima de 40 graus. Vai “pegar fogo”. E o Brasil vingará o humilhante 4 a 1 no embate mais recente, pelas Eliminatórias. Passaremos.
Na final, o derradeiro desafio: Espanha. Liderada pelo talento teen Lamine Yamal, a mais recente campeã europeia voltará a uma decisão de Copa depois de 16 anos e após sobreviver a uma batalha na semifinal ante a França de Mbappé e de ter suplantado antes nos mata-matas Argélia, Croácia e EUA.
Com gol decisivo de Vinicius Junior, ouviremos Galvão Bueno, agora no SBT, bradar: “É hexa!”.
Tudo muito lindo e perfeito. Utopia? Sendo realista, o Brasil de hoje não entusiasma, eis a razão do “pachequei”.
Pacheco, para quem não sabe, é um torcedor fictício criado nos anos 1980, símbolo do ufanismo, do otimismo, do irracionalismo, a personificação do “com o Brasil não há quem possa”.
Incorporou em mim, momentaneamente. Passou.
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Autor: Folha








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