O ministro Dario Durigan, da Fazenda, afirmou nesta terça-feira (9) que eventuais sanções dos Estados Unidos contra bancos brasileiras podem gerar falhas no funcionamento do PIX e impedir a conclusão de transferências. Segundo ele, o risco não está diretamente no sistema de pagamentos instantâneos, mas nas instituições financeiras que possam ser alvos de punições americanas.
O temor ocorre dias depois do governo dos Estados Unidos incluir o PIX entre os argumentos utilizados para justificar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) alega que o Banco Central favorece o sistema de pagamentos instantâneos em detrimento de concorrentes privados, como empresas de cartões e plataformas digitais de transferência de recursos.
“O que você pode ter, uma pessoa no Brasil que quer fazer PIX para um banco vai ter um aviso lá dizendo, não, esse banco está sendo punido e ele não pode receber PIX. Então você cria clarões. Cria as lacunas dentro do nosso sistema de pagamento”, afirmou em entrevista ao UOL.
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Dario Durigan diz que o governo brasileiro monitora a possibilidade de os Estados Unidos adotarem medidas contra instituições financeiras do país. Segundo ele, experiências observadas em outros países indicam que as punições costumam atingir diretamente os bancos, e não o sistema de pagamentos em si.
“As sanções que o governo norte-americano pode apresentar ao PIX, andamos estudando em outros países do mundo, é, propriamente, mais em relação às instituições financeiras do que é o sistema do PIX como um todo. Eu não descarto enquanto risco, em quanto cenário”, declarou.
A preocupação com sanções a bancos por causa do PIX se soma à classificação adotada pelo governo de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Caso instituições financeiras sejam acusadas de envolvimento com essas facções, poderiam ser alvo de sanções capazes de restringir sua atuação no sistema financeiro.
“Eu acho que tem um pouco de tudo. Tem uma visão sobre a geopolítica e sobre o continente do lado deles, tem uma visão política também, mas eu diria que a gente não pode descartar os interesses econômicos que estão por trás”, completou Durigan.
Apesar das preocupações, o ministro defendeu o PIX e disse que o governo trabalha em conjunto com o Banco Central para fortalecer sua estrutura operacional. Segundo ele, a ferramenta se tornou um dos principais símbolos da soberania financeira do Brasil.
Autor: Gazeta do Povo




















