De longe, o South Philadelphia Sports Complex parece uma pequena cidade construída em torno do esporte. Quatro grandes arenas surgem lado a lado em meio a avenidas largas, cercadas por grandes estacionamentos.
Um estádio de futebol americano, um campo de beisebol e um ginásio de basquete e hóquei. Em poucos metros, convivem os símbolos de algumas das maiores paixões esportivas dos Estados Unidos.
Para quem chega pela primeira vez procurando apenas um estádio —como fez a reportagem da Folha—, é fácil se perder entre tantas estruturas, embora a longa caminhada entre uma entrada e outra seja atenuada pela possibilidade de admirar a arquitetura dos locais.
A dimensão do complexo e a proximidade entre as arenas fazem o visitante caminhar por alguns minutos até perceber que está diante de um dos maiores polos esportivos do país.
A impressão que fica é que tudo é pensado para quem chega aos eventos de carro, mas não é bem assim.
É possível chegar ao estádio de transporte público, e a SEPTA, operadora do sistema de transporte da cidade, anunciou que vai manter os preços praticados habitualmente, US$ 2,90 (R$ 15).
Além disso, os torcedores poderão retornar depois do jogo de forma gratuita. As viagens começarão no intervalo e vão se estender até duas horas após a partida.
Nesta semana, o cenário ganhará novos personagens.
Camisas amarelas e azuis, bandeiras brasileiras e haitianas e torcedores vindos de diferentes partes do mundo passaram a ocupar um espaço normalmente dominado pelas cores das franquias das quatro principais ligas americanas.
É nesse ambiente que o Brasil entra em campo nesta sexta-feira (19) para enfrentar o Haiti pela segunda rodada da Copa do Mundo, às 21h30 (de Brasília).
A partida será disputada no Lincoln Financial Field, casa do Philadelphia Eagles, da NFL (National Football League), que integra o complexo onde também estão o Citizens Bank Park, dos Phillies, da MLB (Major League Baseball), e o Wells Fargo Center, dos 76ers, da NBA (National Basketball Association), e dos Flyers, da NHL (National Hockey League).
O futebol também está presente na Filadélfia, mas sua casa fica a cerca de 25 km dali, no Subaru Park Stadium, estádio do Union, da MLS (Major League Soccer), fazendo da Filadélfia uma das poucas cidades do país com representantes nas cinco maiores ligas dos EUA.
A relação da Filadélfia com o esporte é tão profunda que um de seus monumentos mais visitados presta homenagem a um atleta fictício.
Na base da estátua do pugilista Rocky Balboa, personagem interpretado por Sylvester Stallone e eternizado como símbolo da cidade, uma inscrição o define como símbolo da cidade: “The character who represents the courageous spirit of the great city of Philadelphia and the brotherhood of it’s people”. Em português, “o personagem que representa o espírito corajoso da grande cidade da Filadélfia e a fraternidade de seu povo.”
Mas o esporte não é o único cartão de visitas da cidade, que se apresenta ao mundo como berço da independência americana, que completa 250 anos em 2026.
O marco histórico do país tem suas linhas escritas a poucos quilômetros do complexo esportivo, onde ficam os prédios de tijolos, monumentos e praças que ajudaram a moldar os Estados Unidos.
É no centro histórico da Filadélfia que ficam o Independence Hall, onde foi aprovada a Declaração de Independência em 1776, e o Liberty Bell, sino transformado em símbolo da liberdade americana.
Entre os lugares onde os Estados Unidos foram moldados e os estádios que mobilizam dezenas de milhares de torcedores, a Filadélfia oferece duas narrativas que ajudam a explicar a história do principal anfitrião desta Copa.
Autor: Folha








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