Nas duas primeiras partidas na Copa do Mundo 2026, a seleção do Paraguai foi uma das que mais experimentaram as novas regras impostas pelo Ifab (International Football Association Board), órgão ligado à Fifa (Federação Internacional de Futebol), em abril deste ano.
De acordo com a entidade máxima do futebol, as novidades buscam “otimizar o ritmo das partidas e diminuir a perda de tempo”.
Mas para os torcedores paraguaios, após duas partidas no Mundial, está parecendo perseguição, devido aos diferentes incidentes que envolveram os seus jogadores.
A sequência despertou piadas nas redes sociais. Os fãs que veem sua seleção como um laboratório involuntário de arbitragem. Alguns se perguntam o quanto a equipe alvirrubra está informada sobre as novas regras.
As dúvidas recaem especialmente sobre o camisa 10, Almirón, que foi o personagem de duas das principais regras.
Na partida de estreia, contra os Estados Unidos, houve revisão do VAR (árbitro de vídeo) por erro do árbitro de campo, que terminou com cartão amarelo para Almirón por simular uma falta. O cartão havia sido dado ao americano Ream.
Na sexta-feira (19), na vitória por 1 a 0 sobre a Turquia, Almirón foi expulso diretamente por cobrir a boca ao falar com o lateral turco Müldür durante uma parada do jogo.
Foi a primeira vez que tal sanção foi aplicada na Copa. A nova regra da Fifa é conhecida como Lei Vinicius Junior, criada após um caso de racismo sofrido pelo atacante brasileiro na Espanha.
A regra é adotada no Brasil e no exterior e também sanciona com cartão vermelho quem tem conduta racista ou discriminatória por qualquer pessoa em campo. Com isso, o árbitro salvadorenho Iván Barton aplicou o cartão e deixou o time sul-americano com um a menos.
Antes disso, a seleção paraguaia já havia tido uma reversão da cobrança de tiro de meta, que foi punida com escanteio contra, e viu seus jogadores desconcertados por terem que abandonar temporariamente o campo após receberem atendimento médico.
Os torcedores também lembram que na Copa da França, em 1998, o Paraguai foi a primeira seleção eliminada por um “gol de ouro” (quem faz o gol ganha o jogo) em uma Copa do Mundo, quando o francês Laurent Blanc marcou na prorrogação, nas oitavas de final.
Após o duelo com a Turquia, o técnico Gustavo Alfaro, do Paraguai, reclamou das novas regras, às quais chamou de “esporte novo”.
“Está difícil jogar esse esporte novo. Às vezes certas circunstâncias são conduzidas mais para um lado do que para o outro, e o que a gente quer é justiça”, declarou o comandante à imprensa do seu país.
“Todo o decálogo do novo regulamento caiu em cima de nós”, apontou ele, em alusão às situações que ocorreram durante a partida contra a Turquia.
O treinador, porém, finalizou afirmando que não resta outra opção senão aceitar as novidades. “Seguir em frente e nos preparar para o próximo jogo, que será muito mais difícil do que este.”
Na quinta-feira (25), o rival do Paraguai pelo Grupo D será a Austrália, que, como o oponente, ganhou um jogo e perdeu outro nesta Copa.
Com AFP
Autor: Folha








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