A participação dos Estados Unidos na pauta de exportações brasileiras caiu para 9,3% entre agosto de 2025 e maio de 2026, o menor patamar registrado desde o início da série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), em 1997. A queda ocorreu após o tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump em julho de 2025 e pode ser agravada com a nova taxação sugerida para entrar em vigor no mês que vem.
Segundo uma apuração do jornal Valor Econômico divulgada nesta segunda-feira (22), os americanos respondiam por 12,4% das vendas externas do Brasil no período imediatamente anterior às tarifas, entre agosto de 2024 e maio de 2025. Em seu pico, em 2002, a participação dos Estados Unidos chegou a 26% das exportações brasileiras.
Os reflexos já são percebidos em quase todo o país. Dos 26 estados e o Distrito Federal, 24 registraram redução da participação americana em suas exportações após a adoção das medidas tarifárias.
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Esse cenário pode se agravar ainda mais nos próximos meses com as duas novas sobretaxas recomendadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Uma delas prevê tarifa adicional de 12,5% para 60 países, incluindo o Brasil, enquanto a outra estabelece uma sobretaxa específica de 25% sobre produtos brasileiros.
A tarifa de 25% foi proposta após uma investigação que apontou supostos prejuízos às empresas americanas em áreas como desmatamento, propriedade intelectual, corrupção, acordos comerciais preferenciais e uso do PIX. A medida não substitui as tarifas já aplicadas sobre setores como aço e alumínio.
Mesmo com uma lista de exceções envolvendo 666 produtos, a nova sobretaxa poderá atingir 45,8% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, segundo estimativas baseadas no fluxo comercial de 2024. O governo federal calcula um impacto menor, de cerca de 21%.
Efeitos dos tarifaços
Os efeitos, no entanto, não serão iguais em todo o país, sendo que 14 estados e o Distrito Federal podem ter mais da metade de suas exportações para os Estados Unidos atingidas caso a medida seja confirmada. Entre os mais expostos estão Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina.
Os cinco estados que mais exportaram para os Estados Unidos em 2024 foram São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Embora os quatro primeiros estejam fora do grupo mais vulnerável, todos podem sofrer perdas significativas caso as novas tarifas entrem em vigor.
Entre os principais produtos potencialmente afetados estão carregadoras e pás carregadoras produzidas em São Paulo, madeiras exportadas pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul, além de calçados, transformadores elétricos, pescados e lagostas embarcados por estados do Sul e Nordeste.
As novas tarifas possuem base jurídica diferente do tarifaço imposto em 2025, que chegou a elevar as taxas sobre produtos brasileiros para até 50%. Aquela medida foi posteriormente derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos, mas a ameaça de novas barreiras comerciais mantém a pressão sobre as exportações brasileiras.
Autor: Gazeta do Povo




















