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A Meta planeja levantar US$ 25 bilhões (R$ 134,46 bi) com a venda de títulos para ajudar a cobrir os custos crescentes com IA (inteligência artificial), mesmo após suas ações registrarem uma das piores quedas da história da empresa, em meio a temores de que seus gastos estejam excessivos.
O grupo contratou o Citigroup e o Morgan Stanley para coordenar a emissão de até US$ 25 bilhões em dívida, com prazos variando entre cinco e 40 anos —uma das maiores vendas de títulos corporativos do ano, segundo duas pessoas próximas ao assunto.
O movimento ocorre um dia depois de o CEO, Mark Zuckerberg, ter alertado que a big tech americana planeja gastar ainda mais com a corrida para construir centros de dados e infraestrutura que sustentem a explosão da IA.
As ações da Meta caíam mais de 10% na tarde desta quinta-feira (30), à medida que os investidores reagiam ao enorme volume de gastos, apagando quase US$ 200 bilhões (R$ 1,07 tri) de valor de mercado, a segunda maior perda diária da história da empresa.
A operação reforça como os gigantes de tecnologia estão recorrendo cada vez mais ao mercado de dívida para financiar investimentos recordes em infraestrutura de IA.
Nos últimos meses, a Meta levantou US$ 27 bilhões (R$ 145,22 bi) em empréstimos privados, com credores como Pimco e Apollo, para financiar a construção de seu gigantesco centro de dados “Hyperion”, na Louisiana. Em setembro, a Oracle vendeu US$ 18 bilhões (R$ 96,81 tri) em títulos.
As grandes empresas de tecnologia devem investir cerca de US$ 400 bilhões (R$ 2,15 tri) neste ano em infraestrutura de IA, incluindo a compra de chips e a construção de centros de dados. Na quarta-feira (29), Meta, Microsoft e Alphabet, dona do Google, divulgaram planos de gastos acima do esperado para o trimestre.
A Meta afirmou que seus investimentos em capital (capex) podem chegar a US$ 72 bilhões (R$ 387,26 bi) até o fim do ano e que o crescimento das despesas será “notavelmente maior” em 2026, o que indica um valor muito superior à previsão anterior de US$ 105 bilhões (R$ 564,75 bi).
Zuckerberg defendeu o gasto pesado em infraestrutura para uso próprio da empresa. Ele disse a analistas que essa é “a estratégia certa para antecipar de forma agressiva a expansão da capacidade”, como parte da corrida da companhia para ser a primeira a desenvolver uma inteligência artificial geral.
“Eles estão triplicando a aposta no que acreditam”, disse Youssef Squali, chefe de pesquisa de internet e mídia do Truist Securities. “Você não projeta um capex de US$ 110 bilhões (R$ 591,64 bi), além de todos esses financiamentos fora do balanço, se não acreditar que, a longo prazo, estará entre os três primeiros do mercado.”
Ele acrescentou que mantém uma visão positiva sobre a Meta, apesar dos gastos elevados, diante do crescimento recente no número de usuários e do engajamento, além da continuidade do bom desempenho no negócio de publicidade.
Em um jantar recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Zuckerberg afirmou que a Meta planeja investir US$ 600 bilhões (R$ 3,22 tri) em centros de dados e infraestrutura de IA no país até o fim de 2028.
Meta, Citigroup e Morgan Stanley não comentaram o assunto. A emissão de títulos foi divulgada primeiro pela Bloomberg.




