domingo, novembro 30, 2025

A educação ambiental é esforço para salvar o futuro – 20/11/2025 – Políticas e Justiça

Na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, um ponto contrastou fortemente as falas do presidente Lula e de Donald Trump: a crise climática. Enquanto Lula urgia os países desenvolvidos a intensificar a redução de CO₂ e apoiar o desenvolvimento sustentável de nações historicamente exploradas, Trump fez um discurso negacionista, tachando a mudança do clima como “a maior enganação já feita no mundo”.

Ainda que não pareça, esses discursos se conectam à educação de qualidade. A retórica de Trump busca convencer seus apoiadores de que a crise não existe e que combustíveis fósseis são limpos. Essa postura está ligada à indústria de “fake news” e desinformação, mas se apoia, sobretudo, na falta de conhecimento científico na sociedade, uma questão global. Assim, sua retórica, com apoio da máquina pública e das “big techs”, torna mentiras em fatos para parcela da população.

Neste contexto, refletir sobre a melhoria da educação científica e ambiental torna-se um problema crucial. O primeiro desafio é a falta de prioridade e dados. O debate educacional ainda se consolida nas lutas contra os analfabetismos funcional e matemático. Assim, no rol de prioridades, a educação científica costuma ficar fora da agenda educativa e de avaliações de larga escala.

O desafio seguinte é desenvolver uma educação que permita aos estudantes tomar consciência da crise e mobilizar-se para enfrentá-la. Dado o caráter sistêmico da emergência climática, a educação ambiental precisa englobar a complexidade, promovendo a análise de dados e a compreensão integrada das ciências da natureza e humanas. Assim, construir currículos, recursos pedagógicos e formações sobre o tema, que apoiem as práticas dos educadores, torna-se tarefa central das redes de ensino.

Um terceiro ponto se resume na frase de Ailton Krenak: “Se há futuro a ser cogitado, esse futuro é ancestral”. Para lidar com as mudanças sistêmicas e construir um futuro sustentável, a educação precisa unir saberes indígenas, quilombolas e das demais comunidades tradicionais, que garantem a proteção de territórios há séculos. Essa união é uma das nossas maiores potências para desenvolver práticas educativas que sirvam de inspiração global, além de apontar caminhos para as novas gerações lidarem com a ansiedade da crise climática (e não a negarem).

Já há iniciativas relevantes. A “VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente” mobilizou escolas de todo o país para a discussão das mudanças climáticas. Por sua vez, o Pará inova com sua “Política de Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima”, que vai da alfabetização ambiental até a construção de uma rede global de jovens. Tais esforços abrem sendas que devem ser ampliadas. A COP30 no Brasil é uma grande oportunidade para a construção de políticas estruturantes sobre o tema.

Esperançar é um passo fundamental para frear o cenário climático desolador que nos aguarda. Desenvolver uma educação que nos permita compreender os desafios da crise e coconstruir soluções é requisito para essa esperança. Precisamos garantir que a educação abrace a complexidade e se integre com as raízes ancestrais para que possamos, juntos, construir um futuro em que caibamos todos.

O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço Políticas e Justiça da Folha de S. Paulo sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Allan Greicon foi “Ouro Marrom”, de Jota.pê.


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