Batizada pela direção artística de “Harmonia”, a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina, que aconteceu simultaneamente em quatro das cidades-sede no norte da Itália, foi marcada por vaias do público às delegações dos Estados Unidos e de Israel, em meio a conflitos geopolíticos com países europeus.
O palco principal do evento —que acontece após o início de fato das competições— foi o estádio San Siro, em Milão, em que aconteceu a primeira parte da cerimônia.
O evento começou com números de dança e acrobacias que buscaram recordar e enaltecer a história e a cultura italiana, em apresentações sob a regência de atores fantasiados como os compositores Giuseppe Verdi, Giacomo Puccini e Gioachino Rossini.
No palco do estádio do Milan e da Internazionale, a cantora norte-americana Mariah Carey surgiu em um dos pontos altos do bloco inicial para interpretar, em italiano, a clássica “Nel blu dipinto di blu”, de Domenico Modugno, vencedora do Grammy de 1958, popularmente conhecida como “Volare”. Ela ainda emendou na sequência o sucesso “Nothing is Impossible”.
A italiana Laura Pausini, também bastante conhecida do público brasileiro, fez uma interpretação emocionada do hino nacional italiano, acompanhada por um batalhão de modelos vestidas com ternos com as cores vermelha, branca e verde da bandeira nacional.
Em seguida, teve início o desfile das delegações, com cerca de 3.500 atletas, de 93 países.
Além da entrada das respectivas delegações nacionais no estádio em Milão, aconteciam simultaneamente os desfiles dos atletas de cada país já alocados nas sedes de Cortina D’Ampezzo, Livigno e Predazzo, onde vão acontecer provas nos alpes italianos, como esqui e snowboard.
O porta-bandeira no San Siro foi o norueguês naturalizado brasileiro Lucas Pinheiro Braathen, que compete no esqui alpino e é a principal esperança do primeiro pódio do Brasil na história dos Jogos de Inverno. Em Cortina D’Ampezzo, a responsável por carregar a bandeira nacional foi Nicole Silveira, do skeleton.
Assim como já havia acontecido durante os ensaios na véspera, na entrada da delegação dos Estados Unidos, vaias puderam ser ouvidas vindas das arquibancadas do San Siro, respondidas por aplausos de outra parte da plateia. Atletas americanos no desfile gritavam “USA” em resposta.
A presença do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) acompanhando a delegação americana na Itália gerou queixas de autoridades italianas e protestos em cidades-sede, na esteira da política anti-imigração do governo de Donald Trump que resultou na morte de duas pessoas em Minneapolis.
Também contribuíram para os apupos as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos sobre uma possível aquisição forçada da Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca.
Estavam presentes na tribuna de honra do estádio milanês o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, acompanhados da presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Kirsty Coventry, além do presidente italiano, Sergio Mattarella, e da primeira-ministra, Giorgia Meloni.
Novas vaias, em menor intensidade e também respondidas por aplausos, voltaram a ser ouvidas durante a entrada da delegação de Israel, possivelmente relacionadas à guerra e aos impactos causados ao povo palestino na Faixa de Gaza.
Já a delegação da Ucrânia, invadida pela Rússia em fevereiro de 2022, foi a mais celebrada pelo público ao entrar no estádio. Os atletas russos puderam participar dos Jogos, mas sem participação no desfile e sem a bandeira e o hino nacional em caso de pódio.
Já mais perto do encerramento, houve quadro protagonizado pela atriz italiana Sabrina Impacciatore, que trouxe a evolução em forma de musical dos Jogos de Inverno desde a primeira edição em Chamonix, na França, em 1924, até os dias atuais, e apresentação do cantor Andrea Bocelli, que fez uma interpretação de seu sucesso “Nessun dorma”, da ópera de Giacomo Puccini.
A cerimônia também teve a presença da ginasta brasileira Rebeca Andrade, maior medalhista olímpica do Brasil e uma das convidadas para carregar a bandeira com os anéis olímpicos antes do acendimento das piras, ao lado de nomes como o queniano Eliud Kipchoge, pentacampeão olímpico no atletismo, e Cindy Ngamba, primeira atleta da equipe de refugiados a subir ao pódio em Olimpíadas.
Pela primeira vez na história dos Jogos, duas piras olímpicas foram acesas, no Arco da Paz, em Milão, e na Praça Dibona, em Cortina d’Ampezzo, por Alberto Tomba e Sofia Goggia, respectivamente, campeões olímpicos no esqui alpino. Elas serão apagadas juntas, no dia 22 de fevereiro, quando terminam as competições.
A participação brasileira nos Jogos começa na próxima terça-feira (10), com Bruna Moura, Eduarda Ribeiro e Manex Silva nas classificatórias do esqui cross-country.
O melhor resultado do país na história das Olimpíadas no gelo e na neve até aqui é o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross, em Turim-2006.
Autor: Folha








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