As ações da Novo Nordisk, dona do Ozempiv e Wegovy, despencaram quase 17% nesta segunda-feira (23) após o CagriSema, mais recente medicamento para perda de peso da farmacêutica europeia, decepcionar em um ensaio clínico importante.
Investidores passaram a vender seus papéis da Novo, listada na Bolsa de Copenhague, depois que a perda de peso média alcançada pelo CagriSema ficou aquém daquela proporcionada pela tirzepatida, o princípio ativo dos tratamentos desenvolvidos pela rival norte-americana Eli Lilly.
Em um sinal da importância da outrora promissora farmacêutica para o mercado de ações dinamarquês, o índice OMX da Bolsa de Copenhague desabou 6,69% nesta segunda-feira.
O CagriSema alcançou perda de peso média de 23% em um ensaio de 84 semanas, informou a Novo Nordisk. Já a tirzepatida registrou redução de 25,5%. As ações da Eli Lilly subiram 3% no início do pregão em Wall Street.
O mais recente medicamento da empresa dinamarquesa contém uma nova molécula, a cagrilintida, além da semaglutida —o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, os medicamentos de grande sucesso que brevemente tornaram a Novo Nordisk a maior empresa da Europa em valor de mercado em 2024.
As ações da Novo Nordisk fecharam o dia com queda de 16,48%, cotadas a 251,4 coroas dinamarquesas (R$ 205,12), na Bolsa de Copenhague.
Os resultados do CagriSema coroam 18 meses desastrosos para a Novo Nordisk. A pioneira em medicamentos para obesidade ficou para trás em relação à Eli Lilly, enfrentou crescente concorrência nos EUA e demitiu Lars Fruergaard Jorgensen, que foi o CEO por vários anos.
Neste mês, o grupo anunciou que esperava que as vendas líquidas e os lucros de 2026 caíssem até 13%. A empresa atribuiu isso a uma queda nos preços nos EUA após um acordo com o governo Trump para reduzir os custos de medicamentos para os consumidores.
A farmacêutica também enfrenta o término das patentes do Wegovy e do Ozempic neste ano em mercados como Canadá, Brasil, Índia e China, além de forte concorrência de versões genéricas mais baratas nos EUA.
O novo presidente-executivo do grupo, Mike Doustdar, que está no cargo desde agosto, descreveu os cortes de preços nos EUA como dolorosos.
As ações da Novo caíram quase pela metade nos últimos 12 meses e são negociadas dois terços abaixo de seu pico de junho de 2024.
A Novo Nordisk submeteu o CagriSema à FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA) para aprovação em dezembro, com base em resultados de ensaios anteriores, e uma decisão é esperada ainda este ano.
Autor: Folha








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