Quando se tornou advogado, o jovem José Rodrigues já acumulava anos de experiência profissional, desenvolvendo as habilidades que o fizeram conhecido em todos os lugares em que viveu e trabalhou: simpatia e dedicação.
Desde menino, teve de ajudar nas contas de casa fazendo pequenos serviços, como carreto de feira. Nascido em Queiroz, no interior de São Paulo, mudou-se com a família para Urânia e viu os pais tentarem se estabelecer em diferentes ocasiões na capital paulista.
A família fixou residência, enfim, na Vila Maria Alta, na zona norte paulistana. Começou a fazer amigos pelo bairro e, em suas andanças, aprendeu a tocar violão de ouvido, assistindo às rodas dos músicos.
Já na juventude, trabalhou como contínuo no banco Safra, na avenida Paulista. Seguiu o conselho de um dos diretores e foi estudar direito, tendo escolhido a Universidade de Mogi das Cruzes.
Na época, morava sozinho em São Paulo em um quarto nos fundos do Centro Social Leão 13. Em meio às atividades do grupo conheceu a futura esposa, Niracy Rodrigues, 69, estudante de ciências sociais também em Mogi das Cruzes.
Além do bom trânsito na política, área em que trabalhou, era referência de ajuda na vizinhança. “Toda vez que alguém tinha problema, batia lá na porta de casa. Para tentar ‘tirar’ alguém da delegacia, chamavam meu pai. Para liberar corpo não sei onde, chamavam meu pai. Família sem dinheiro para bancar velório e funeral, chamavam meu pai. E isso sem cobrar nada”, lembra o filho George Rodrigues, 40.
Quando o filho Gustavo Rodrigues, 32, pensou em deixar a faculdade de ciência da computação, o pai deu todo o apoio. “Ele nunca falou diretamente para fazer direito, mas foi por influência dele que acabei me tornando advogado. Quando resolvi trocar, tive total apoio dele.”
Ambos têm na ponta da língua a preferência do pai: a pescaria. Tanto que as visitas à cidade da família de Niracy, Nova Guataporanga (SP), eram eventos ainda mais especiais para José, pela proximidade da casa dos parentes com o rio.
Os filhos não se lembram do motivo, mas o pai criou uma espécie de tradição. Comprava rosas e as distribuía no Dia das Mães às matriarcas do bairro, que passaram a esperar, na data, pela chegada de Zezinho, como era conhecido.
Na Vila Maria, as festas na rua também eram embaladas pelas músicas que José tocava, do sertanejo à MPB, que também marcaram as celebrações na memória da família e dos amigos.
Com a saúde debilitada desde 2017, quando teve um AVC, José Rodrigues morreu na madrugada de 2 de janeiro, aos 70 anos, após sofrer um infarto. Ele deixa Niracy, os filhos George, Gustavo e Anne Rodrigues Americano, 38, e cinco netos, além dos amigos da paróquia Nossa Senhora da Candelária, na Vila Maria.
Autor: Folha








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