O apoio mútuo entre os pré-candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao governo paranaense Sergio Moro (União-PR), selado nesta quarta-feira (18), teve repercussão imediata nas articulações partidárias do estado. Na mesa da reunião do presidenciável e do pré-candidato ao governo estadual, a chapa ao Senado pelo Paraná começou a ser desenhada e uma aliança com o partido Novo ganhou força.
Além de Flávio e Moro, o encontro teve a presença do presidente do PL, Valdemar Costa Neto; do coordenador de campanha do filho do ex-presidente, senador Rogério Marinho (PL-RN); e de dois nomes-chave do PL paranaense: o presidente estadual Fernando Giacobo e o pré-candidato ao Senado Filipe Barros, ambos deputados federais pelo Paraná.
Segundo apuração da Gazeta do Povo, o apoio do PL a Moro inclui uma aliança com o Novo, o que pode representar um revés duplo para o grupo político do governador Ratinho Junior (PSD-PR). O Novo faz parte da base da atual gestão do Palácio Iguaçu, sede do Executivo paranaense, e o objetivo do PL é lançar Barros ao Senado, acompanhado do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR). Em outubro, cada estado deve eleger dois senadores.
A movimentação foi confirmada pela reportagem da Gazeta do Povo junto a integrantes do Novo e pode reaproximar Moro e Dallagnol na esfera política. O ex-juiz e o ex-procurador ganharam notoriedade nacional durante a operação Lava Jato, que investigou os governos petistas pela corrupção na Petrobras.
O líder do PP paranaense, deputado federal Ricardo Barros, anunciou a saída do senador que, segundo ele, irá se filiar ao PL na próxima terça-feira (24). Barros é o principal opositor da candidatura de Moro pela federação e ameaçava barrar o nome do ex-juiz nas convenções partidárias. Por se tratar de uma federação, o senador necessitaria do aval das duas siglas para disputar o governo estadual em outubro.
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Procurada pela reportagem da Gazeta do Povo após as últimas movimentações no cenário político paranaense, a jornalista Cristina Graeml (União-PR) respondeu que não há alteração de planos e que irá manter a pré-candidatura ao Senado. “Não há qualquer possibilidade de recuo. Não existe plano para mudança de rota. Sigo com responsabilidade, respeito às lideranças e, acima de tudo, com lealdade ao povo do Paraná”, disse em nota.
Ela afirmou que Moro tem “plena consciência do momento que o Paraná vive” e lembrou do acordo firmado para que ela disputasse a cadeira ao Senado com o apoio do ex-juiz. “Nos últimos dias, surgiram especulações sobre possíveis composições e até mesmo sobre mudanças no meu projeto político. É importante esclarecer de forma definitiva: o senador Sérgio Moro sabe, desde o início, que a minha decisão é firme e irreversível.”
De acordo com a apuração da Gazeta do Povo, o acordo entre Moro e Flávio incluiria um convite à jornalista para que ela também se filiasse ao PL e, então, optasse por concorrer a uma cadeira como candidata a deputada federal.
Uma eventual retirada da pré-candidatura de Cristina Graeml na disputa ao Senado paranaense — negada por ela — beneficiaria diretamente o deputado federal Filipe Barros. O parlamentar é um antigo aliado da família do ex-presidente desde a campanha vitoriosa de Jair Bolsonaro em 2018.
A estratégia também seria um contrapeso nos apoios políticos ao Senado, pois com o rompimento do acordo entre PL e PSD, Filipe Barros não terá o aval de Ratinho Junior para a disputa.
Segundo levantamento da IRG Pesquisas, divulgado nesta quinta-feira (19), a disputa pelas duas cadeiras ao Senado pelo Paraná está bem embolada. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos.
- Metodologia: A pesquisa ouviu 1.000 pessoas entre os dias 13 e 18 de março. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº PR-02737/2026.
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Enquanto define o nome escolhido para concorrer ao governo na tentativa de fazer um sucessor, Ratinho Junior também passou a tentar minimizar o impacto da aliança entre Moro e Flávio. Na semana passada, o governador do Paraná recusou o convite de Rogério Marinho para compor a chapa presidencial do PL, como vice do “filho 01” de Bolsonaro.
Presidente estadual do PSD, Ratinho Junior apostava em uma chapa ao Senado formada por Dallagnol e pelo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi. A estratégia ainda contava com o isolamento de Moro sem uma sigla para lançar a candidatura ao governo.
Com o acordo entre os senadores Moro e Flávio e a possibilidade de perder Dallagnol, o governador passou a cogitar a entrega da prefeitura de Curitiba para o Novo, com o lançamento de uma pré-candidatura estadual do prefeito da capital, Eduardo Pimentel (PSD-PR).
Ele foi eleito nas eleições de 2024 na aliança com o PL, que indicou o vice-prefeito Paulo Martins. No ano passado, Martins trocou o PL pelo Novo e lançou pré-candidatura ao governo do estado em um evento que contou com a presença dos governadores Ratinho Junior e Romeu Zema (Novo-MG).
A aproximação entre Moro e Deltan pode inviabilizar essa ideia. Martins foi procurado, mas não deu retorno até a publicação desta reportagem. A Gazeta do Povo também confirmou que o nome de Fernanda Dallagnol (Novo-PR), esposa do ex-procurador da Lava Jato, foi sondado para compor a chapa como vice-candidata ao governo, junto com o escolhido de Ratinho Junior.
Autor: Gazeta do Povo








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