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Análise: Os países ameaçados por tarifas sobre Groenlândia

Donald Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre os países que enviaram tropas à Groenlândia para exercícios militares na Operação Resistência Ártica, após ameaçar anexar a ilha. Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia serão taxadas a partir do dia 1º de fevereiro.

Segundo o analista de Internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, esses países representam as nações mais prósperas da Europa, com maiores rendas per capita. “São os países nórdicos da Europa, que têm mais ligação geográfica com a Dinamarca e com a Groenlândia”, explicou. Ele destacou que, com exceção da Suíça, que mantém sua tradicional neutralidade, os principais países europeus estão mobilizados nesta operação. Também há uma preocupação sobre a geração de precedentes.

“Essa é uma situação potencialmente muito grave“, alertou Sant’Anna. “Porque ela envolve os dois fatores principais de estabilidade do mundo, que são a economia, questão comercial, e a questão de defesa ou a questão militar”. O analista ressaltou que a medida também envolve questões emocionais, citando uma carta enviada por Trump ao primeiro-ministro da Noruega, onde afirmou que, por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, não se sente comprometido com a paz e focará nos direitos dos Estados Unidos.

Impacto econômico e geopolítico

De acordo com a consultoria Oxford Global Economics, citada por Sant’Anna, se as tarifas forem implementadas e houver represálias europeias, poderá ocorrer uma redução de um ponto percentual no crescimento do PIB dos Estados Unidos e da Europa. O impacto no crescimento do PIB global seria de aproximadamente 0,2 ponto percentual, reduzindo de 2,8% para 2,6%.

O analista alertou para as consequências geopolíticas da medida: “Envolve uma fratura fortíssima na OTAN, representa um incentivo para os grandes países quererem impor à força as mudanças da geografia, mudança do desenho das fronteiras”. Segundo ele, isso legitima e naturaliza alterações territoriais forçadas, o que poderia ser interpretado pela Rússia como legitimação de suas pretensões sobre a Ucrânia, e pela China em relação a Taiwan.

Sant’Anna destacou ainda que a Europa possui mecanismos de defesa econômica, como o instrumento anticoerção, que permite bloquear o acesso de produtos americanos ao mercado europeu e impor controles de exportações para produtos estratégicos. Além disso, existe um pacote de 108 bilhões de dólares em retaliações comerciais que havia sido preparado anteriormente.

Autor: CNN Brasil

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