Neymar jogou contra o Novorizontino. Não foi bem, como era esperado, e alguns números chamam a atenção. Teve 90 ações com a bola, foi o terceiro que mais participou do jogo, o que mais ganhou (e mais perdeu) duelos e o que mais perdeu posses de bola (33), por ser também quem mais arriscava. Ele próprio postou dados do GPS do Santos mostrando que foi o quarto jogador da equipe em quilômetros percorridos e em metros de alta intensidade, além de ser o segundo em números de sprints.
Entre números para cá e para lá, ficam as sensações de um jogador que foi incapaz de se destacar em umas quartas-de-final de campeonato paulista, contra um adversário de Série B de Brasileirão. Como imaginar que este jogador será capaz de decidir em uma quartas de final de Copa do Mundo?
Pois mais do que imaginar, devemos testar. E por isso defendo que Carlo Ancelotti deva convocar Neymar em março, para os jogos contra França e Croácia.
O desempenho contra o Novorizontino pode ser avaliado como ruim, mas também deve-se levar em conta que foi apenas o segundo jogo do atacante no ano, o primeiro por 90 minutos. É normal que Neymar seja um jogador saindo de pré-temporada contra um adversário em sua nona partida em 2026.
Quando os amistosos chegarem, ele terá participado de mais três partidas: Vasco, Mirassol e Corinthians. O suficiente para estar fisicamente apto para desempenhar ao menos próximo do que veremos em junho na Copa. E aí a convocação passa a ser mais importante para Ancelotti que para o próprio Neymar.
O treinador precisa avaliar, durante os treinos e os jogos de março, o que poderá fazer no meio do ano. Neymar se encaixa na forma de jogar do time? Qual deve ser seu posicionamento imaginando que Vinicius, Raphinha e Estêvão serão titulares? É possível marcar pressão com ele em campo? Senão, vale a pena jogar com quatro atacantes? Com Neymar o time pede um centroavante ou funciona melhor sem um 9 típico? Aos 34 anos, é jogador para 90 minutos ou para 30?
Todas essas questões devem passar pela cabeça do técnico italiano e, após observá-lo, Ancelotti terá dois meses para deliberar com sua comissão técnica o que fazer no Mundial.
Imaginem o cenário contrário: Neymar não é chamado para os amistosos, mas entra na lista final. Apenas a partir da primeira rodada da Copa Ancelotti vai avaliar os prós e contras de tê-lo no time e quais os encaixes necessários para melhorar a equipe com ou sem sua presença.
Sei que há quem pense que Neymar já deva ser carta fora do baralho. Mas precisa ser já? Eu sei que há muito tempo ele não é quem um dia foi. Desde 2018 Neymar não joga 50% das partidas de suas equipes. Não tem mais a arrancada e a mudança de direção que tinha em seu auge. Ainda assim, é o jogador brasileiro mais especial e com potencial para tirar um coelho da cartola.
Eu não contrataria Neymar para jogar um torneio de pontos corridos. O camisa 10 que não conseguiu fazer a diferença contra o Novorizontino é insuficiente até para o Santos, quanto mais para o Brasil. Mas esse jogador tende a crescer (se não se lesionar) nas próximas semanas. Se a Copa do Mundo fosse disputada em 38 rodadas durante um ano, apostaria por outros 26 antes dele. Mas o torneio que se avizinha é de um mês, oito jogos e uma infinidade de “pequenos momentos” que mudam a história das partidas e o destino das seleções.
É preciso que Ancelotti possa observar de perto “o que sobrou” de Neymar e como ele poderá ser útil em junho. Não acho que será uma decisão fácil levá-lo ou não. E é exatamente por isso que o técnico precisa vê-lo antes e ter dois meses para chegar à melhor conclusão.
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Autor: Folha








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