O executivo que lidera o laboratório de ponta da Anthropic, o brasileiro Mike Krieger, disse que a startup de inteligência artificial percebeu os riscos de um novo modelo avançado recém-anunciado e escolheu “dar um passo atrás para preparar o mundo para esse desafio”.
A nova tecnologia, chamada Claude Mythos Preview, se mostrou muito eficaz em encontrar e consertar brechas em programas de computador e sites, afirmou Krieger, conhecido por ter cofundado o Instagram em 2010, em evento na Califórnia.
A habilidade da IA é útil para empresas reforçarem suas defesas contra ataques cibernéticos, ao mesmo tempo que, nas mãos de criminosos, pode facilitar ataques e invasões virtuais.
Mas, em vez de disponibilizar a nova tecnologia ao público, a dona do chatbot Claude anunciou na terça-feira (7) que disponibilizará o modelo a um consórcio de mais de 40 empresas de tecnologia, incluindo Apple, Amazon e Microsoft, que o usarão para encontrar e corrigir vulnerabilidades de segurança em seus programas de software estratégicos.
“Reunimos um grupo de empresas líderes que têm a segurança cibernética entre suas prioridades e decidimos armá-las com o acesso ao modelo, com um monte de créditos para garantir um uso seguro”, disse Krieger. A ideia é que as companhias saiam na frente dos criminosos cibernéticos.
Ao todo, serão US$ 100 milhões em créditos de uso para as empresas parceiras, grupo que também inclui Google, CrowdStrike e o banco JPMorgan Chase.
A Anthropic diz que o Mythos Preview é capaz de encontrar vulnerabilidades em software a partir de comandos simples. A empresa afirma que o novo modelo já identificou milhares de bugs e brechas em programas populares, incluindo todos os principais sistemas operacionais e navegadores.
Uma das vulnerabilidades que o Claude encontrou, disse a empresa, foi um bug de 27 anos no OpenBSD, um sistema operacional de código aberto projetado para ser difícil de hackear. Muitos roteadores usam a tecnologia do OpenBSD.
Outra foi um problema de longa data em um software de vídeo que já havia sido analisado 5 milhões de vezes por ferramentas automatizadas.
De acordo com Krieger, 40, não é a primeira vez que a empresa dá um passo atrás. Após criar o Claude Code, modelo voltado à programação automatizada, a startup gastou o ano de 2025 reescrevendo todo o código de sua infraestrutura.
Segundo ele, a tecnologia baseada em IA acelera os processos de teste de produto e reescrita de código.
Hoje, os produtos baseados no Claude, como o Code e o Cowork, vêm sendo adotados por empresas do Vale do Silício. “Foi isso que permitiu nosso crescimento no início deste ano”, disse.
O brasileiro, que deixou o país em 2004 para estudar na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, entrou na Anthropic em 2024 como vice-presidente de produto e, no início deste ano, assumiu uma posição na divisão Labs da startup, voltada a produtos experimentais. O trabalho do laboratório é imaginar como o Claude será usado quando os modelos da Anthropic estiverem mais avançados.
O Claude Cowork, por exemplo, hoje consegue usar o Adobe Photoshop no computador dos usuários. “Foi algo que começamos a testar um ano atrás e era completamente inviável, ocorriam vários erros imprevisíveis.”
A empresa, de capital fechado, anunciou em fevereiro uma rodada de investimentos de US$ 30 bilhões, levando a avaliação de mercado a US$ 380 bilhões. A empresa tem como CEO o pesquisador Dario Amodei.
A OpenAI, principal concorrente e dona do ChatGPT, captou no fim de março mais US$ 122 bilhões, fazendo a avaliação saltar para US$ 852 bilhões.
O repórter viajou a convite do Brazil at Silicon Valley
Autor: Folha








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