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Ao menos seis famílias já procuraram a polícia no DF – 21/01/2026 – Equilíbrio e Saúde

Ao menos seis famílias procuraram a Polícia Civil do Distrito Federal para relatar mortes consideradas suspeitas ocorridas no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), após a divulgação da prisão de três técnicos de enfermagem.

Os profissionais presos são investigados pelas mortes de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33, João Clemente Pereira, 63, e Miranilde Pereira da Silva, 75. As vítimas morreram enquanto estavam internadas na UTI da unidade, entre 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025.

Em nota, o Hospital Anchieta afirma que “acompanha os desdobramentos do caso e permanece atuando com a mesma transparência e ética com que pautou sua atuação desde o início”.

“Vale lembrar que o hospital identificou circunstâncias atípicas, investigou em menos de 20 dias e denunciou [o caso] proativamente à Polícia Civil do DF, disponibilizando toda documentação às autoridades competentes, requerendo inquérito e medidas cautelares, colaborando integral e irrestritamente com as autoridades”, acrescenta a instituição.

A investigação aponta que os pacientes teriam morrido após a aplicação irregular de medicamentos e até de desinfetante na veia. De acordo com a polícia, quando administrado fora dos protocolos médicos, o medicamento usado pode causar parada cardíaca em poucos segundos.

Os investigadores dizem acreditar que pode haver mais mortes ligadas aos suspeitos, no próprio hospital e em outras instituições nas quais os suspeitos atuaram, tanto na rede pública quanto privada. A corporação afirma que deve abrir um novo inquérito para realizar a investigação.

Nesta quarta-feira (21), o delegado Maurício Iacozzilli, da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa do Distrito Federal, afirmou que a principal linha de investigação é que o técnico de enfermagem preso seria um psicopata que cometeu os crimes por prazer.

Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, é apontado como o principal suspeito pelas mortes. Também foram presas as técnicas de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa, suspeitas de envolvimento nos óbitos. A reportagem ainda tenta localizar as defesas dos presos.

“Até agora, essa é a hipótese mais forte. Os investigadores apuram ainda se o principal suspeito pode ter manipulado as outras duas técnicas para auxiliá-lo nos crimes. Uma delas estava em treinamento, tinha 22 anos, e estava no primeiro emprego; a outra era amiga do suspeito havia muitos anos”, disse.

As imagens, segundo o delegado, mostram que as duas acompanharam a preparação e a aplicação do medicamento.

Em um dos casos, uma das técnicas teria permanecido no quarto observando a aplicação sem intervir. Em outro episódio, a outra investigada, que atuava em setor diferente, aparece dando cobertura, observando a porta enquanto o medicamento era aplicado.

A polícia aguarda os laudos periciais de celulares e computadores apreendidos para tentar esclarecer o real motivação dos crimes e verificar se houve comunicação entre os investigados ou com terceiros.

“É isso que pode amarrar melhor o porquê desses crimes”, disse Iacozzilli. A previsão é que os laudos fiquem prontos entre 15 e 20 dias.

Segundo o delegado, as versões apresentadas pelo principal investigado não se sustentam diante das provas já reunidas. Ele afirma que o técnico inicialmente alegou que teria agido de cabeça quente, sob estresse do plantão. Em seguida, passou a afirmar que teria sentido pena das vítimas e queria aliviar o sofrimento delas.

“As justificativas não fecham. A professora aposentada de 75 anos estava consciente e havia sido internada por constipação intestinal. Não era uma pessoa em sofrimento intenso”, disse.

Autor: Folha

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