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Aos 66, corredora de Uberlândia quer completar 200ª prova – 09/02/2026 – No Corre

Em Uberlândia, a palavra “maratona” perdeu seu significado corriqueiro de “evento extenuante para quem dele participa”, como na definição do dicionário Michaelis.

É que nessa cidade mineira de muitos viadutos e poucos atrativos naturais, ao menos dois filhos da terra têm como hobby correr muitas e muitas vezes a mítica prova de 42,2 km, que, como se sabe, é o primeiro e mais estrito significado do vocábulo.

O duo corre tantas maratonas, uma após a outra, que fica difícil, no caso deles, entender o termo como epopeia, batalha —evento extenuante.

Toda a relativização aqui é permitida: o proverbial “já volta, saiu pra comprar cigarro” para esses dois é algo como “foi logo ali fazer uma maratoninha”. Somadas as duas contagens, ambos já completaram 618 maratonas e ultras, estas últimas provas ainda mais extensas, às vezes com o dobro da distância da mara, como a sul-africana Comrades, de 89 km.

Muitas vezes acontece de eles corrê-las semanalmente, quase sem falhar ao longo do ano, mas, para aproveitar viagens e competições especiais, não é incomum que façam isso em dias consecutivos.

Nilson Lima, 73, já completou 427 provas de 42 km ou mais –só a Comrades ele disputou 11 vezes. Não à toa, a prova de Uberlândia, até este 2026 a única maratona oficial de Minas, chama-se maratona Nilson Lima, uma homenagem jamais vista alhures.

Mas de Nilsão esta coluna já se ocupou, ao contrário de sua conterrânea Anamélia Tannus, 66 anos, que no fim de janeiro, em Ribeirão Preto, lugar, como se isso fosse possível, ainda mais quente que Uberlândia, concluiu sua 191ª maratona. Ela pretende correr pelo menos mais oito antes da Nilson Lima, para, em sua cidade natal, em 17 de maio, celebrar a ducentésima.

Essas oito que lhe faltam até lá serão em solo estadunidense: seis em seis estados diferentes ao longo de março; e depois, em 20 de abril, uma segunda-feira, a desejada mara de Boston, fetiche do fetiche do maratonista, que ela deve correr tendo feito no domingo de véspera outros 42 km. Em 2025, Anamélia completou 35 maras.

O que leva alguém a passar por tal rotina em seus anos de, vá lá, júbilo é pergunta ociosa aqui, pois não há nada aparentemente que a faça mais satisfeita. “Virou estilo de vida, algo que me dá muito prazer, especialmente quando corro em lugares novos e com amigos. Acho que essa é uma atividade hoje cada vez mais procurada”, disse a administradora e produtora de café à coluna.

De 2003, quando começou, até 2021, Anamélia corria em companhia de João, seu marido, mas uma doença degenerativa o impediu de seguir na pegada e o fez parar na centésima. E correr uma maratona, e concluí-la ao lado do marido, não apenas dava prazer ao casal –era um “êxtase” vivido a dois, como Anamélia disse uma vez num podcast.

Anamélia hoje às vezes corre e viaja sozinha, mas prefere estar perto de amigos e amigas, tanto nas viagens como no cascalho. De Nilson, “grande inspiração”, ela também compartilha o afeto pelos Estados Unidos, tendo, como ele, corrido nos 50 estados do país e, com isso, merecido uma distinção.

Sobre ter uma maratona com seu nome na mesma Uberlândia dela e de Nilson, quem sabe em outro mês que não o de maio, ela é cética –ao menos por enquanto. “Não soube de conversas nesse sentido.”

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Autor: Folha

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