As empresas de namoro online estão voltando seus esforços para a Ásia, à medida que a fadiga do “deslizar para a direita” se intensifica na América do Norte e na Europa.
Enquanto os aplicativos enfrentam dificuldades nos mercados ocidentais, executivos afirmam que a região asiática vem registrando crescimento, impulsionado pelo aumento do número de mulheres usuárias, à medida que o estigma em torno do namoro online diminui.
“Ficou mais problemático flertar e namorar no ambiente de trabalho, e mais difícil para as pessoas se conectarem quando passam todo o tempo trabalhando”, afirmou Malgosia Green, presidente da Match Group para a Ásia —empresa dona do Tinder, Hinge e OKCupid.
A guinada regional ocorre num momento em que as maiores empresas de namoro online lutam para reter usuários. A base de usuários ativos do Tinder caiu 10%, para 51 milhões, no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, segundo a empresa de dados Sensor Tower. Já o Bumble registrou queda de 5%, para 20,8 milhões, no mesmo intervalo.
A Ásia, no entanto, é um ponto fora da curva, com números de usuários crescendo rapidamente em vários países —ainda que receitas e lucros não avancem no mesmo ritmo.
Os cinco maiores mercados globais em número de downloads de aplicativos de namoro em 2025 incluem três países asiáticos: a Índia, disparada na liderança, com 205 milhões de downloads, além da China (com base em downloads da Apple) e da Indonésia.
Por outro lado, entre os cinco maiores mercados em receita, apenas um país asiático aparece: o Japão, que ocupa o segundo lugar, atrás dos Estados Unidos, com US$ 2,3 bilhões arrecadados nos primeiros 11 meses de 2025.
O presidente da plataforma Happn —adquirida em 2025 por uma companhia chinesa de redes sociais e agora focada em mercados asiáticos— afirmou que o setor precisa “se reinventar” para manter sua atratividade.
Shn Juay, presidente global do Coffee Meets Bagel (CMB), aplicativo fundado nos Estados Unidos, disse que grande parte do aumento recente na adesão aos serviços se deve à mudança de atitudes das mulheres asiáticas.
“As mulheres não dependem mais da família ou de amigos para apresentá-las a futuros parceiros —elas não querem deixar isso ao acaso”, disse Juay, que atua no setor há mais de uma década. “Elas querem assumir o controle por meio dessas plataformas digitais.”
Segundo ela, aplicativos que se expandem na Ásia precisam adaptar seus serviços às normas culturais específicas de cada mercado, que podem ser bastante diferentes daquelas às quais as empresas estão acostumadas.
“Usuários asiáticos tendem a ser muito orientados a objetivos”, afirmou Juay. “Muitas vezes, estão focados em encontrar um parceiro de longo prazo, não apenas em encontros casuais.”
O CMB observou que usuários em Singapura e Hong Kong priorizam informações sobre a pessoa, como profissão e nível de escolaridade, enquanto usuários na Austrália dão mais atenção às fotos.
Usuários asiáticos também têm maior probabilidade de interagir com perfis que apresentam respostas detalhadas, disse Juay.
“Quando os solteiros avaliam uns aos outros, eles observam quanto esforço foi dedicado ao perfil”, afirmou. “Deixar lacunas é visto como falta de respeito.”
O aplicativo de namoro mais popular do Japão é o Pairs, um serviço local adquirido pela Match há uma década. O governo japonês tem incentivado o uso de aplicativos de namoro como parte de seus esforços para elevar a taxa de natalidade, e a prefeitura de Tóquio lançou seu próprio aplicativo em 2024.
“Eles acabam se tornando quase uma infraestrutura social”, disse Green, da Match.
Dado o nível de seriedade com que os usuários japoneses analisam possíveis parceiros no Pairs, os perfis incluem detalhes como profissão, renda e até tipo sanguíneo. No país, é comum a crença de que o grupo sanguíneo indica traços de personalidade, de forma semelhante à astrologia.
A versão coreana do Pairs conta com um recurso que permite verificar o local de trabalho do usuário, exigência obrigatória para homens e opcional para mulheres.
A Índia, onde os casamentos arranjados vêm diminuindo, é um dos mercados asiáticos que mais crescem para aplicativos de namoro. Recentemente, a Match lançou no país o serviço exclusivo The League, voltado a profissionais de alta renda em Mumbai e Nova Délhi.
Embora aplicativos desenvolvidos localmente liderem em número de downloads na Índia, plataformas ocidentais —como Bumble, Tinder, Hinge, Pure e Grindr— geram a maior parte da receita. O Bumble também é o aplicativo de maior faturamento na Indonésia e nas Filipinas.
Em Singapura, o CMB lançou recentemente um novo recurso integrado ao Singpass, sistema de autenticação do governo que reúne informações pessoais como endereço e estado civil. A iniciativa ajudou a reduzir um problema comum no país: usuários casados que se passam por solteiros.
A medida também contribui para combater comportamentos recorrentes em aplicativos de namoro, como assédio e golpes.
Juay afirmou que, quando o recurso foi lançado em julho, o CMB registrou uma queda no número de contas, mas que os níveis começam a se recuperar. No longo prazo, porém, o ambiente se tornou mais seguro para os usuários.
“As pessoas tendem a ser muito mais respeitosas e gentis quando sabem que temos seu número de identificação nacional e que podemos repassá-lo à polícia”, disse.





