Uma pesquisa conduzida na Universidade Federal do Paraná está demonstrando a viabilidade de aumentar a produtividade de araucárias através de plantas selecionadas. Uma araucária identificada em Caçador (SC), com produção superior a 600 pinhas por safra, deu origem à pesquisa conduzida pelo professor Flávio Zanette, que hoje integra ensino, pesquisa e extensão.
O estudo, iniciado em 1985, que desde o ano de 2000 conta com a participação da Embrapa, investiga a enxertia como forma de replicar o desempenho da árvore matriz e reduzir o tempo em que a araucária entra em produção. E os resultados já estão sendo contabilizados, com plantas enxertadas atingindo alta produtividade em pouco tempo e ainda com porte baixo.
Na natureza, a araucária pode levar de 12 a 15 anos para frutificar. Com a clonagem por enxertia, os pesquisadores trabalham para encurtar esse intervalo e aumentar a regularidade das safras. As mudas são produzidas no viveiro do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade, onde o engenheiro florestal Valdeci Constantino conduz ao lado de estudantes as etapas de seleção, resgate, enxertia, manejo e multiplicação de matrizes de interesse para produção de pinhões.
As mudas produzidas estão sendo destinadas para compor um jardim clonal e um pomar clonal de araucária consorciado com frutíferas. O objetivo é oferecer uma alternativa de renda para o agricultor através das frutíferas até que as araucárias iniciem a produção (aproximadamente 8 anos). Os projetos estão sendo instalados na Fazenda Canguiri da UFPR e fazem parte de um programa de extensão voltado para estudantes, comunidade externa e técnicos, visando estimular o plantio e a conservação da araucária mediante uso econômico.
Atualmente, as plantas enxertadas a partir da matriz de Caçador já estão demonstrando alta produtividade. Enxertadas inicialmente, em 2015, os botões (futuras pinhas) começaram a aparecer precocemente, com apenas 4,5 anos após a enxertia. Agora já com 11 anos, as araucárias estão com número de pinhas bem acima do habitual para outras árvores nativas de mesma idade, resultado considerado excelente pelos pesquisadores. Há ramos com oito pinhas e outros com até 15 pinhas, resultado da produção, inclusive nas grimpas ou sapés, característica herdada da matriz.
Origem
Esta pesquisa teve origem após a visita de Zanette à propriedade de Vanio Czerniak, em Caçador (SC) onde foi identificada a árvore com alto rendimento. A partir desse material genético, o grupo passou a desenvolver as mudas enxertadas, acompanhando seu desempenho ao longo dos anos. Os resultados ainda estão sendo avaliados, mas indicam potencial para alterar a lógica de cultivo da araucária, hoje limitada pelo longo ciclo até a produção e, principalmente, pela grande proporção de machos (cerca de 50%) quando as mudas são produzidas por meio de pinhões. A possibilidade de escolher diferentes variedades a serem plantadas, com época de maturação diferenciada, por exemplo, além de otimizar a operação de colheita, uma vez que só pinhões de determinada variedade serão colhidos, evita colher pinhões que ficarão maduros tardiamente, reduzindo, assim, a chance de misturar pinhões verdes com maduros, resultando em produto de melhor qualidade.
O plantio de araucária enxertada para produção de pinhões, além de ser uma alternativa ao extrativismo, busca plantios planejados, visa produtividade, redução do esforço durante a colheita/coleta e ainda permite escalonamento da produção. Assim, explica o engenheiro florestal Valdeci Constantino, contribui para a preservação da espécie, pois o foco é manter a planta em pé produzindo eficientemente.
Autor: Agencia Paraná









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