terça-feira, janeiro 13, 2026

Argentina: Inflação de 2025 é a mais baixa desde 2017 – 13/01/2026 – Economia

Os dados de inflação da Argentina divulgados nesta terça-feira (13) deixam um sabor agridoce para o o governo de Javier Milei: por um lado, o índice de 2025 foi o mais baixo desde 2017; por outro, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) mensal de dezembro seguiu próximo aos 2%, assim como durante toda a segunda metade do ano passado.

O índice de preços registrou alta de 2,8% em dezembro, a maior em nove meses, e vindo de 2,5% no mês anterior. Na variação anual, o indicador ficou em 31,5%.

Esse foi o sexto mês seguido em que a inflação mensal rondando a casa dos 2%, o que diferentes analistas apontam como um esgotamento do plano econômico austero do governo Milei.

Por outro lado, a inflação encerrou 2025 com uma queda de mais de 86 pontos percentuais em relação a 2024, que foi de 117,8%. Esse resultado representa o menor nível em oito anos.

No mês de dezembro, os principais aumentos se deram no segmento de transportes (4,0%), seguido pelos gastos com domicílio (3,4%), comunicação (3,3%), restaurantes e hoteés (3,2%) e alimentos e bebidas não alcoólicas (3,1%)

Em um ano, os alimentos e bebidas não alcoólicas tiveram alta de 32,2%, seguidos pelas bebidas alcoólicas e tabaco (25,2%) e por roupas e calçados (15,5%).

O comportamento do núcleo reforça a ideia de que a inflação ainda é resiliente.

O resultado está em linha com a Pesquisa de Expectativas de Mercado, feita pelo BCRA (o banco central argentino), com estimativas privadas, apontou que a inflação de dezembro de 2025 ficaria em 2,3% e que a inflação anual teria superado os 30%.

Apenas na cidade de Buenos Aires, a inflação foi de 2,7% em dezembro, igual a setembro, e a variação de preços em 2025 foi de 31,8%.

Os serviços tiveram um aumento significativo na comparação com os bens, com habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis apresentando os principais aumentos. Essa situação reflete as altas nas tarifas de energia e aluguéis, que foram predominantes entre as divisões de preços mais relevantes.

A desaceleração da inflação é uma conquista importante do governo de Javier Milei. Em 2017, durante a gestão de Mauricio Macri, a inflação foi de 24,8%, mas aumentou, alcançando 47,7% em 2018 e 53,8% em 2019.

Sob o peronista Alberto Fernández, a inflação foi de 36,2% em 2020, chegou a 50,9% em 2021 e 94,8% em 2022, com um salto para 211,4% em 2023.

Em 2025, a trajetória dos preços não foi estável. A primeira metade do ano viu uma desaceleração, mas a segunda metade registrou uma aceleração dos preços.

O ministro da Economia, Luis Caputo, comemorou os resultados de 2025, destacando que o governo conseguiu reduzir o índice, apesar de desafios como reajuste de preços e pressão política, por conta das eleições legislativas de outubro.

“O programa de estabilização baseado no superávit fiscal, no controle rigoroso da oferta monetária e na capitalização do Banco Central continuarão sendo os pilares para a continuidade do processo de desinflação”, escreveu o ministro, que teve seu trabalho elogiado por Milei nas redes sociais.

Para 2026, espera-se que as mudanças na medição da inflação e as flutuações no câmbio do dólar influenciem o IPC. Contudo, analistas acreditam que o governo tomará medidas para evitar acelerações abruptas nos preços.

Autor Original

Destaques da Semana

Temas

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas

spot_imgspot_img