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Assoalho pélvico: exercício reduz risco de incontinência – 07/02/2026 – Equilíbrio

Após a gestação e o parto, muitas mulheres convivem com sintomas que afetam o bem-estar físico e emocional, como perda involuntária de urina, disfunções sexuais e alterações na musculatura abdominal.

Segundo uma ampla revisão de estudos publicada no British Journal of Sports Medicine, exercícios do assoalho pélvico podem ser aliados, reduzindo o risco de incontinência urinária e prolapso de órgãos no pós-parto.

A revisão analisou 65 estudos realizados em 24 países, envolvendo mais de 21 mil mulheres no primeiro ano após darem à luz. O principal achado aponta que a prática de exercícios específicos para o assoalho pélvico reduziu em 37% o risco de incontinência urinária e em 56% a probabilidade de prolapso em órgãos dessa região.

O trabalho também observou uma redução modesta da diástase abdominal, afastamento dos músculos retos do abdômen, embora esse não seja um dos principais desfechos desses exercícios.

O assoalho pélvico é um conjunto de músculos, fáscias e ligamentos que sustenta órgãos como bexiga, útero e reto. Ele participa do controle da urina, das fezes, da função sexual e da estabilidade do abdômen.

“Quando essa musculatura não funciona de forma adequada, seja por fraqueza, tensão excessiva ou falta de coordenação, sintomas podem aparecer”, explica a fisioterapeuta Andreia Maria de Lima Oliveira, referência técnica em fisioterapia pélvica no Centro de Reabilitação do Einstein Hospital Israelita.

Estima-se que entre um terço e quase metade das mulheres apresente algum distúrbio do assoalho pélvico após o parto.

A incontinência urinária é o problema mais frequente, especialmente quando o bebê nasce pela via vaginal. Também podem ocorrer prolapso de órgãos pélvicos, quando estruturas como bexiga, útero ou reto apresentam algum grau de descida em direção à vagina, além de alterações na função sexual.

“A gestação, por si só, sobrecarrega a musculatura pélvica devido ao peso do bebê, às mudanças hormonais e ao aumento da pressão abdominal, o que explica a ocorrência de sintomas independentemente da via de parto”, observa Oliveira.

“Mas, apesar de serem bastante frequentes, esses sintomas não devem ser encarados como normais ou inevitáveis. Informação, prevenção e tratamento adequado fazem diferença na qualidade de vida da mulher”, reforça a fisioterapeuta.

Treino para o parto

Os exercícios do assoalho pélvico, também conhecidos como “exercícios de Kegel”, são práticas específicas e direcionadas a ativar, fortalecer, coordenar e relaxar essa musculatura que sustenta os órgãos situados na pelve.

“Diferentemente de exercícios gerais, eles atuam de forma focada nessa musculatura, respeitando os tempos de contração e relaxamento necessários para uma boa função”, explica a especialista do Einstein.

Quando realizados de forma preventiva durante a gestação, ajudam a preparar o corpo para os esforços necessários na hora do parto.

“Ao chegar mais preparada ao momento do nascimento, essa musculatura tende a responder melhor ao estiramento e às demandas do parto, o que ajuda a explicar a menor incidência de incontinência urinária e prolapso de órgãos pélvicos observada nos estudos”, pontua Andreia Oliveira.

Segundo a nova pesquisa, programas supervisionados tendem a trazer melhores resultados do que treinos feitos apenas em casa.

“Os exercícios do assoalho pélvico exigem aprendizado específico, e muitas mulheres não conseguem ativar essa musculatura corretamente sem orientação. A supervisão permite correção, ajuste de intensidade e individualização do treino”, destaca a fisioterapeuta. “A prática em grupo pode aumentar a adesão, mas o fator decisivo é a qualidade da orientação profissional.”

Apesar dos avanços, os autores destacam que ainda não existem protocolos bem definidos sobre tipo, intensidade e progressão dos exercícios para o assoalho pélvico no pós-parto.

Na prática clínica, o treinamento é individualizado, baseado em avaliação funcional e progressão gradual, respeitando sintomas e o momento de recuperação da mulher.

“Cuidar do assoalho pélvico no pós-parto não é seguir um protocolo engessado, mas compreender o corpo de cada uma em sua individualidade. Mais do que cumprir um protocolo fixo, o foco está na qualidade da execução, na progressão segura e na adaptação à rotina da mulher”, conclui Oliveira

Autor: Folha

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