terça-feira, janeiro 13, 2026

Ataque dos EUA à Venezuela: Preço do petróleo sobe – 05/01/2026 – Economia

O preço do barril de petróleo subiu na manhã desta segunda-feira (5) após iniciar o dia em queda, dois dias depois dos ataques dos EUA à Venezuela. As ações de petrolíferas dos EUA chegaram a subir mais de 15%. Os títulos do governo da Venezuela e as principais Bolsas pelo mundo também apresentavam alta nesta segunda-feira.

As ações das empresas petrolíferas nos EUA operavam em alta antes da abertura do mercado, com investidores apostando que a medida do presidente Donald Trump contra a liderança da Venezuela permitirá que as empresas norte-americanas tenham maior acesso às maiores reservas de petróleo do mundo.

As ações da Chevron, a única grande empresa dos EUA que atualmente opera nos campos de petróleo da Venezuela, subiram 7,3%, enquanto as refinarias Phillips 66, Marathon Petroleum, Valero Energy e PBF Energy subiram entre 5% e 16%.

Na abertura da sessão, os contratos do barril de petróleo Brent, referência mundial, e do WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegaram a cair quase 1% nas primeiras horas do dia, mas a tendência se reverteu com o Brent subindo 0,43%, a US$ 61,01 (R$ 331,88), às 9h10 (horário de Brasília). Já o barril WTI estava a US$ 57,64 (R$ 313,55), em alta de 0,54%.

No sábado (3), o presidente Donald Trump anunciou que governará a Venezuela até o término do processo de transição. Segundo ele, o petróleo venezuelano será explorado por empresas americanas e “voltará a fluir” com petroleiras dos EUA à frente das operações e da infraestrutura do país. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo.

No domingo (4), membros da Opep+ decidiram manter estável a produção de petróleo, apesar de tensões políticas entre dois dos principais membros do grupo, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, e do ataque feito pelos Estados Unidos à Venezuela.

A reunião ocorre após os preços do petróleo terem caído mais de 18% em 2025 —a maior queda anual desde 2020—, em meio a crescentes preocupações com o excesso de oferta. Esse excedente pode ajudar a controlar o choque disparado pela crise entre Estados Unidos e Venezuela.

A exportação de petróleo da Venezuela representa cerca de 90% das exportações do país, tendo a China como a grande compradora. “Mas para a China, o petróleo venezuelano não é tão importante porque representava muito pouco do seu consumo. O país pode suprir essa falta sem dificuldade”, afirma David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo).

A Venezuela produzia até 3,5 milhões de barris por dia na década de 1970, respondendo por mais de 7% da produção global.

A produção caiu para menos de 2 milhões de barris diários na década de 2010 e atingiu uma média de cerca de 1,1 milhão no ano passado, ou aproximadamente 1% da oferta global, após anos de subinvestimento e sanções.

O petróleo venezuelano é um petróleo heavy sour com alto teor de enxofre, o que o torna adequado para a produção de diesel e combustíveis mais pesados, embora com margens menores em comparação com outros tipos, principalmente os do Oriente Médio.

“Esse tipo de petróleo se alinha bem com a configuração das refinarias da Costa do Golfo dos EUA, que historicamente foram projetadas para processar esses tipos de petróleo”, disse Ahmad Assiri, estrategista de pesquisa da Pepperstone.

A presença atual da Chevron na Venezuela, sob uma isenção dos EUA, posicionou-a como uma possível primeira beneficiária de qualquer mudança de política, enquanto as refinarias ganham com a maior disponibilidade de petróleo pesado mais perto de casa.

As principais Bolsas também operavam em alta. Na China, o índice SSEC, em Xangai, ultrapassou os 4.000 pontos, fechando o dia com valorização de 1,4%. Já o CSI300, que reúne as principais empresas de Xangai e Shenzhen, subiu 1,9%.

Na Europa, o índice STOXX, da União Europeia, subia 0,5% às 9h30, com as Bolsas de Londres (0,14%), Paris (0,02%), Milão (0,45%) e Frankfurt (0,60%), seguindo a mesma tendência.

As ações de defesa lideraram os ganhos na Europa após os ataques militares dos EUA terem alimentado novas preocupações sobre riscos geopolíticos. O índice de ações de defesa SXPARO chegou a saltar mais de 3% e atingiu seu nível mais alto em dois meses.

As empresas alemãs Hensoldt , Rheinmetall , Renk subiam cerca de 6% e 7% e estavam entre as que mais se valorizavam no STOXX.

Os títulos emitidos pelo governo do país sul-americano e pela empresa estatal de petróleo PDVSA chegaram a subir até US$ 0,08, ou cerca de 20%, no início do pregão europeu, com analistas prevendo mais ganhos.

“Os títulos da Venezuela e da PDVSA praticamente dobraram de preço ao longo de 2025, mas ainda devem apresentar um forte salto —de até dez pontos— no início da sessão desta segunda-feira”, disseram analistas do JPMorgan em nota a clientes.

Os movimentos desta segunda-feira levaram o título de 2031 da Venezuela para quase US$ 0,40, mostraram dados da Tradeweb, com a maioria dos outros subindo entre US$ 0,35 e US$ 0,38 e a dívida da PDVSA avançando mais de US$ 0,06, para quase US$ 0,30.

A italiana Leonardo também se valorizava cerca de 6% e a sueca Saab teve alta de 6,7%, enquanto BAE Systems, Thales, Dassault Aviation subiam cerca de 4% cada uma. A espanhola Indra também tinha alta de cerca de 6%.

“A remoção do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA provavelmente não terá consequências econômicas significativas no curto prazo para a economia global”, afirmou Neil Shearing da Capital Economics.

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