O Paquistão afirmou ter lançado ataques contra alvos militantes no Afeganistão, após atribuir recentes atentados suicidas, incluindo ataques durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã, a combatentes que, segundo o país, operavam a partir do território vizinho.
Mulheres e crianças estavam entre as dezenas de mortos e feridos nos ataques, ocorridos neste sábado (21), informou o Talibã, grupo que governa o Afeganistão. A informação não foi confirmada pela Reuters de forma independente. O Ministério da Defesa, contudo, promete uma resposta adequada no momento oportuno.
Os ataques provocam uma escalada acentuada da tensão poucos dias depois de Cabul ter libertado três soldados paquistaneses numa ação mediada pela Arábia Saudita para diminuir as preocupações após meses de confrontos ao longo da fronteira acidentada. Os enfrentamentos são os mais graves entre os vizinhos desde que o Talibã assumiu o poder em Cabul, em 2021.
“Os ataques consistiram em direcionamento seletivo baseado em informações de inteligência a sete campos e esconderijos terroristas pertencentes ao Talibã paquistanês, bem como à Província de Khorasan, do Estado Islâmico, ao longo da fronteira com o Afeganistão”, disse o Ministério da Informação paquistanês.
Em um comunicado, o órgão afirmou ter provas conclusivas de que os ataques foram realizados pelos Khwarij, termo usado para se referir ao Talibã.
“Eles estavam agindo sob instruções de sua liderança e superiores baseados no Afeganistão”, disse o complementou o ministério.
Cabul negou repetidamente permitir que militantes usem o território afegão para realizar ataques no Paquistão.
O Ministério da Defesa do Afeganistão condenou o que chamou de flagrante violação da soberania nacional como uma “violação do direito internacional, dos princípios da boa vizinhança e dos valores islâmicos”.
Em seu comunicado, acrescentou: “Uma resposta adequada e ponderada será tomada no momento oportuno.”
Entre os incidentes de ataque listados pelo Paquistão, estavam um atentado a bomba contra uma mesquita em Islamabad e atos de violência nos distritos fronteiriços de Bajaur e Bannu, no noroeste do país.
No sábado, os militares disseram que um homem-bomba suicida nesses distritos atacou um comboio das forças de segurança, matando cinco militantes em um tiroteio e dois soldados quando um veículo carregado de explosivos colidiu com um veículo militar.
A tensão forçou o fechamento repetido de importantes passagens de fronteira, interrompendo o comércio e as atividades ao longo da fronteira de 2,6 mil km.
Os confrontos de outubro deixaram dezenas de mortos antes de um frágil cessar-fogo ser acordado, mas o Paquistão continua a acusar os governantes talibãs do Afeganistão de abrigarem militantes que realizam ataques dentro de seu território –o que Cabul nega.
Autor: Folha








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