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Atividade física deve ser obrigatória na oncologia – 27/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

O exercício físico não deve ser uma opção para o tratamento oncológico, mas sim uma obrigação, afirmam especialistas.

Evidências crescentes dos benefícios para pacientes com câncer pressionam os médicos a orientar a prática, que deve ser personalizada conforme as condições de cada pessoa.

Fazer exercício físico regularmente durante o tratamento oncológico reduz significativamente a toxicidade cardíaca, o comprometimento cognitivo e a neuropatia, segundo um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine —publicação britânica de medicina esportiva—, que revisa 80 artigos sobre a relação entre a atividade física e seus impactos na saúde de pessoas com câncer.

O estudo concluiu ainda que o exercício modula a composição corporal e biomarcadores, como a insulina e a proteína C-reativa, melhora a qualidade do sono, o bem-estar psicológico e a interação social.

Os resultados, publicados em julho de 2025, reforçam a necessidade de recomendação, afirma a médica Marina Rondinelli, anestesiologista e especialista em medicina da dor. “O exercício físico não é mais uma opção, é uma prescrição”.

Segundo dados expostos por ela no Onco in Rio, congresso oncológico internacional realizado pela Rede D’Or no Rio de Janeiro, 75% dos pacientes em quimioterapia desenvolvem comprometimento cognitivo, que atrapalha memória e concentração, por exemplo; 80% relatam fadiga muscular.

Esses são apenas dois exemplos de sintomas que podem ser amenizados com atividade física, segundo a publicação. Caminhada, musculação e treino funcional, por exemplo, têm ótimo resultado para resolver a fadiga, algo constante. Já a cognição é melhorada por exercícios aeróbicos e de força e apresenta resultado moderado com os exercícios de mente e corpo, como ioga e tai chi chuan.

Segundo Marina, mesmo o mínimo de exercício deve ser recomendado, independente da condição de mobilidade do paciente. “Um minuto que seja de exercício por dia é melhor que nada. E isso pode ser aplicado à realidade do paciente, da forma que ele pode fazer, dentro das suas condições”, afirma.

Marina explica que a atividade física também é uma aliada nesse sentido. Segundo um levantamento do National Comprehensive Cancer Network, da Pensilvânia, 59% dos pacientes em tratamento oncológico ativo relatam dor. O percentual sobe para 64% em pacientes com graus mais avançados da doença. Por fim, 33% dos que chegam à remissão continuam com algum incômodo.


“[A prescrição de atividade física] Ainda não é capilarizada na medicina oncológica, é uma conclusão que ganhou evidências fortes nos últimos anos. Mas agora precisa ser disseminada”, afirma o oncologista Paulo Hoff.

Eventos adversos associados ao câncer e seus tratamentos

As causas são geralmente a exposição a medicamentos e terapias para combater o câncer, ou causadas pela própria enfermidade.

Cardiotoxicidade

  • Insuficiência cardíaca (coração perde força para bombear)
  • Falta de ar
  • Inchaço nas pernas
  • Cansaço intenso

Neuropatia periférica (induzida pela quimioterapia)

  • Formigamento e dormência (nas mãos e nos pés)
  • Dor e queimação
  • Perda de sensibilidade
  • Dificuldade para andar

Comprometimento cognitivo

  • Falhas de memória
  • Dificuldade de concentração
  • Lentidão de raciocínio
  • Problemas para executar tarefas completas

Dispneia (falta de ar)

  • Sensação constante de falta de ar
  • Ansiedade associada à respiração
  • Limitação para atividades simples (como andar e falar)
  • Fadiga intensa

A pesquisa também indica que a ioga é particularmente eficaz para reduzir distúrbios de sono de curto prazo, especialmente em mulheres com câncer de mama.

“O exercício físico melhora a estrutura do paciente, a musculatura, mas ele também diminui a inflamação. Nós tínhamos análises de população sugerindo que a prática era favorável, mas houve um divisor de águas, um estudo com 800 pessoas em que 400 foram instruídas a fazer exercícios, e outras 400 ganharam personal trainer, foram obrigadas a fazer 150 minutos de atividade aeróbica por semana, durante três anos. O segundo grupo teve metade das recorrências de câncer do que o primeiro”, diz Hoff.

O médico diz que esse impacto é igual ao da quimioterapia. “Se esse trabalho não convencer todo mundo de que a atividade física é importante, eu não sei o que vai”, conclui.

O jornalista viajou ao congresso a convite da Rede D’Or

Autor: Folha

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