domingo, novembro 30, 2025

Bateria de carros não terão mais cobalto se preço não cair – 17/10/2025 – Mercado

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Os fabricantes de baterias vão acelerar a transição para alternativas ao cobalto caso o preço do metal —impulsionado por restrições às exportações na República Democrática do Congo— continue subindo, afirmou um executivo da maior mineradora do setor.

“Acho que o preço está no limite do que o mercado tolera antes de ser forçado a mudar”, disse Kenny Ives, diretor comercial do CMOC, em entrevista à Bloomberg News em Londres.

O Congo é responsável por cerca de três quartos da produção mundial do metal, usado em baterias de veículos elétricos e na indústria aeroespacial e de defesa, e implementou controles para conter o excesso de oferta. Um embargo de oito meses às exportações será substituído por cotas rígidas ainda nesta semana.

A suspensão havia sido anunciada em fevereiro, depois que o preço de referência caiu abaixo de US$ 10 por libra, nível não visto havia 21 anos (com exceção de uma breve queda no fim de 2015), segundo dados da Fastmarkets. Desde então, o cobalto dobrou de preço, enquanto o hidróxido de cobalto —principal produto exportado pelo Congo— triplicou.

Apesar da forte alta, as cotações ainda estão em menos da metade dos picos registrados em 2018 e 2022.

O governo congolês determinou que as mineradoras poderão exportar pouco mais de 18 mil toneladas do metal no restante deste ano e até 96,6 mil toneladas em cada um dos anos de 2026 e 2027. Os volumes permitidos são menos da metade da produção do país no ano passado.

A CMOC será uma das mais afetadas pelas novas restrições. Em 2025, a mineradora chinesa poderá embarcar apenas o equivalente a 27% das 114 mil toneladas de cobalto produzidas em 2024 em suas duas minas no Congo.

“Se faltar cobalto para a indústria, é claro que haverá opções químicas diferentes, e os chineses e outros vão mudar”, disse Ives, acrescentando acreditar que o Congo “vai reavaliar a cota de forma semirregular ou regular”. A maioria dos fabricantes de veículos elétricos na China, o maior produtor mundial do setor, já migrou para baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), que não usam cobalto.

As cotas, porém, não impedirão a CMOC de produzir ainda mais cobalto, já que o metal é extraído no Congo junto com o cobre, cujo preço está perto de recordes históricos e deve subir ainda mais nos próximos anos.

A produção de cobre da CMOC nas duas minas congolesas deve atingir 700 mil toneladas em 2025, um aumento de quase 8% em relação ao ano passado, e “crescer significativamente nos próximos três a cinco anos”, afirmou Ives, que também é CEO da unidade de trading IXM. “Isso gera muito cobalto.”

Segundo o executivo, o mercado de cobalto estava “saturado” quando o Congo impôs a proibição, mas não apenas por causa do rápido aumento da produção da CMOC. A demanda pelo metal também tem sido fraca há anos, disse.

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