segunda-feira, fevereiro 9, 2026
18.1 C
Pinhais

BC sinaliza queda da Selic, mas ainda não é hora de correr do CDI – 09/02/2026 – De Grão em Grão

Há momentos em que o viajante se perde não por falta de mapas, mas por excesso de pressa. Ao enxergar um atalho aparentemente promissor, abandona a estrada principal e passa a enfrentar buracos, desvios e riscos que não estavam no plano original. No mundo dos investimentos, algo semelhante acontece quando o investidor sente que precisa “fazer algo” justamente quando o caminho mais simples está oferecendo resultados raros.

Em sua mais recente reunião, em 28 de janeiro, o Copom (Comitê de Política Econômica) do Banco Central do Brasil sinalizou que pode iniciar o ciclo de cortes de juros já no próximo encontro, em março. Para muitos, isso soa como um aviso para abandonar a renda fixa referenciada ao CDI, que deve começar a cair, e buscar alternativas referenciadas ao IPCA ou mais ousadas.

Mas, olhando com calma, os números contam uma história bem menos apressada —e muito mais confortável para quem valoriza previsibilidade e menor volatilidade.

Hoje, a Selic está em 15% ao ano, enquanto o IPCA esperado para 2026 gira em torno de 4%. Isso significa que, mesmo com o início dos cortes em março, cerca de um quarto do ano ainda será vivido com um juro real próximo de 11% anuais no CDI. Poucos períodos da história recente ofereceram algo parecido sem exigir grandes apostas.

As projeções de mercado indicam que a Selic deva encerrar o ano entre 12,25% e 12,5% ao ano. Ainda assim, ao fim de 2026, o CDI continuaria entregando um juro real superior a 8% ao ano. Não se trata, portanto, de um ganho pontual concentrado no início do ciclo, mas de um ambiente que permanece favorável mesmo após a queda dos juros nominais.

Considerando que os cortes costumam ocorrer a cada 45 dias, o CDI médio do ano tende a ficar próximo de 13,5%. Se a inflação permanecer ao redor de 4% —patamar que, inclusive, condiciona a própria velocidade de redução da Selic—, aplicações referenciadas a 100% do CDI devem gerar um juro real acima de 9% ao ano, com baixíssima volatilidade e elevada previsibilidade de fluxo. Ainda há alternativas com retorno de 110% do CDI e baixo risco que proporcionariam, portanto, um juros real 1,3% superior ainda em 2026.

O contraste com o passado ajuda a dimensionar esse cenário. Desde 2006, não tivemos cinco anos consecutivos com a Selic acima de dois dígitos. E tudo indica que esse ciclo será mais longo. É difícil imaginar a taxa básica abaixo de 10% já em 2027, o que prolonga um ambiente especialmente favorável para quem prioriza preservação de capital e ganho real consistente.

Nesse contexto, vale lembrar a advertência de Sêneca: “Não é porque as coisas são difíceis que não ousamos; é porque não ousamos que elas são difíceis”. O equívoco recorrente está em confundir ousadia com risco. Em certos momentos, a verdadeira ousadia está justamente em aceitar ganhos elevados sem a necessidade de complicar a estratégia.

O cenário atual é um desses momentos. Não será preciso buscar atalhos, nem se afastar da estrada principal, para obter retornos reais expressivos nos próximos dois anos. Para o investidor conservador, raramente o custo de oportunidade de assumir risco foi tão alto. Às vezes, o erro não está em ficar parado. Está em correr quando não há necessidade alguma de correr.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas