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‘Big Brother fora da lei’ precisa ligar alerta no futebol – 26/02/2026 – O Mundo É uma Bola

Um caso de invasão de privacidade, envolvendo uma equipe feminina na Áustria, movimentou o noticiário esportivo da Europa.

O jornal inglês Guardian publicou que uma investigação sobre pornografia infantil e exploração sexual feita por autoridades alemãs e suíças identificou vídeos e fotos feitos sem autorização, por meio de câmeras escondidas no vestiário do clube (área comum e chuveiros), de jogadoras do Altach, da cidade de mesmo nome.

A Justiça austríaca teve conhecimento, assim como o clube, que desligou o funcionário acusado do crime. Ele não teve o nome ou idade divulgados, só a nacionalidade (suíça).

No julgamento, em tribunal regional, o homem admitiu o ato e disse estar arrependido. Recebeu pena de sete meses de prisão (a ser cumprida em liberdade condicional) e multa de 1.200 euros (R$ 7.300). Além disso, precisará pagar 625 euros (R$ 4.000) a cada atleta que teve a privacidade violada –teriam sido cerca de 30, algumas menores de idade.

Durante as oitivas, as jogadoras, que tinham convívio cotidiano com o acusado, divulgaram um comunicado: “Durante anos ele nos disse que o vestiário era a nossa casa, mas essa casa foi destruída por alguém que pensávamos fazer parte dessa família. O que aconteceu foi uma puxada de tapete”.

A pena foi considerada branda e gerou revolta. “Não me parece uma mensagem forte o suficiente para afirmar que isso não é tolerado em nossa sociedade”, afirmou a meia Eleni Rittmann, 25. “Afetou nossa vida tão profundamente que algumas de nós não se sentem mais seguras.”

Pouco entendo de leis, mas me parece uma sanção de fato insuficiente para desestimular outras pessoas a replicarem a atitude criminosa. O clube, incrível, saiu ileso ao alegar desconhecimento da ilicitude. Depois, como se fosse o bastante, ofereceu apoio psicológico às vítimas.

O que deve ser questionado à luz desse “Big Brother fora da lei”, pois trata-se de bisbilhotagem clandestina, é: mundo afora, os vestiários oferecem segurança adequada para que os jogadores, incluindo crianças e adolescentes, possam se trocar, tomar banho, sem que imagens suas parem na internet, na “dark web”? De quem é a responsabilidade?

A resposta para a primeira pergunta é “não”. Se estivessem seguros, a história no Altach inexistiria. A resposta para a segunda pergunta é “de cada clube”.

Utilizando esse episódio para direcionar os holofotes ao Brasil, espero que cada agremiação faça inspeções regulares não apenas nos vestiários mas nos alojamentos dos atletas, sejam eles, sejam elas, sejam maiores, sejam menores, para verificar se há microcâmeras ocultas. Não tenho convicção de que isso aconteça, e espero estar errado.

Na dúvida, fica a recomendação: que os esportistas (mulheres e crianças costumam ser mais visadas), quando em área que deve preservar sua intimidade, verifiquem paredes, teto, chão, portas.

Não deveria ser necessário, contudo não há 100% de certeza de que todos os funcionários de todos os clubes sejam idôneos, sem más intenções. Nem que todos os clubes fiscalizem minuciosamente suas instalações.

Muito sério, o problema está registrado. Necessário, o alerta está dado. Que resulte em prevenção, não em negligência e em punição quando o dano estiver consumado.

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Autor: Folha

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