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Bilhete para a Geração Z do Brasil

Quando entrei para a universidade, em 1980, me disseram que o Brasil não tinha futuro. Quando me formei engenheiro, em 1984, me disseram que o destino da minha geração era o desemprego. Hoje dizem que o Brasil é um lixo, que não vai melhorar e que o melhor é ir embora.

Me mudei para os EUA em 1989, mas voltei em 1994 porque descobri que todos os lugares têm vantagens e desvantagens e a contabilidade final de perdas e ganhos depende de cada um. Minha visão sobre o Brasil evoluiu: já fui alternadamente pessimista e otimista, hoje acredito que os problemas do Brasil são provocados por hábitos ruins dos quais o país não consegue se livrar. Ele pode mudar esses hábitos? Pode. Mas será preciso muito esforço.

O dilema das novas gerações é o mesmo das antigas: abrir caminho pelo mundo, levando uma vida decente e com algum significado

O Brasil tem uma herança cultural complicada (e para entender melhor o que isso significa não há substituto para o livro de Geert Hofstede Cultures and Organizations: Software of the Mind) e uma história de crises ininterruptas. Montamos um modelo político com peças de sistemas incompatíveis. O resultado é um país precocemente ideologizado, preocupado com tolices, receptivo às piores ideias e dominado por uma aliança de oligarcas e marxistas. Um país ingovernável. O Brasil pode até melhorar um dia, mas é melhor não contar com isso.

Minha recomendação à Geração Z é aquela que meus pais sempre me deram: seja independente. Não dependa de nada e de ninguém. No começo da vida isso é difícil. Dependemos de nossos pais e depois dependemos de um emprego. Mas a independência deve ser construída aos poucos, e isso é feito através da acumulação de patrimônio. Há dois tipos de patrimônio. O primeiro é o patrimônio material: dinheiro, imóveis, ações, bitcoin. O segundo é imaterial: suas habilidades profissionais e o valor que você traz para a sociedade. Quanto mais patrimônio você tem – material ou imaterial – mais independente você será.

O Estado vai fazer tudo para te prejudicar porque, sem uma multidão de dependentes, ele não consegue justificar seu tamanho, seus gastos exorbitantes e o poder dos governantes.

Interessa ao Estado multiplicar os pobres. Por isso, ele vai criar oportunidades e argumentos para que você fique ou permaneça pobre. O Estado vai aumentar os impostos, facilitar o acesso a drogas e a jogos de azar, demonizar a prosperidade e atacar a classe média e os ricos. O Estado vai patrocinar a apologia da feiura, da pobreza, da brutalidade e da promiscuidade e chamar isso de “cultura”. O Estado vai reduzir a qualidade do ensino ao mínimo possível.

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O Estado quer te convencer a colocar a política no centro da sua vida. Ele precisa que você acredite que todos os problemas serão resolvidos pelo governo e pelas “autoridades” – pessoas que, frequentemente, têm menos caráter, experiência, decência e estudo que você.

Não existe “Geração Z”; isso não passa de um termo midiático, criado pelos departamentos de marketing de conglomerados multinacionais – é uma construção social, no idioma do politicamente correto. O dilema das novas gerações é o mesmo das antigas: abrir caminho pelo mundo, levando uma vida decente e com algum significado.

Minha sugestão é que você use a independência como fator de decisão. Quando estiver diante de uma escolha, é importante perguntar: que alternativa aumentará minhas chances de ser independente? Diante disso, decisões como a escolha de uma profissão, ou o uso de drogas, se tornam fáceis.

Trabalhe, poupe, seja prudente e forte. Não conte com os outros para resolver seus problemas; ajude os outros a resolver os problemas deles, se puder.

O Estado vai fazer o que puder para atrapalhar. Sempre foi assim. Sua missão é ser feliz e prosperar apesar disso.

Autor: Gazeta do Povo

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