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BIS: Ouro e ações dos EUA estão em território de bolha – 08/12/2025 – Mercado

Investidores de varejo estão ajudando a empurrar o ouro e as ações dos Estados Unidos para um território de “bolha”, elevando o risco de uma reversão desordenada, alertou o BIS (Banco de Compensações Internacionais, na sigla em inglês).

Em sua mais recente revisão trimestral, publicada nesta segunda-feira (8), o BIS afirmou que o ouro e as ações americanas exibem características típicas de uma bolha, incluindo “exuberância” dos investidores de varejo, valorizações aceleradas e alarde na imprensa.

O ouro disparou 60% neste ano, em seu melhor desempenho anual desde 1979. As ações dos EUA, puxadas por um punhado de gigantes de tecnologia impulsionados pelo boom da IA (inteligência artificial), caminham para ganhos anuais: o S&P 500 sobe 17% e o Nasdaq, 22%.

A decisão de acender o sinal de alerta sobre o mercado de ouro chama atenção porque o BIS, conhecido como o “banco dos bancos centrais” e famoso por sua discrição, ajuda as instituições a negociar o metal e o armazena para eles.

“Os últimos trimestres representam a única vez, ao menos nos últimos 50 anos, em que ouro e ações ingressaram simultaneamente nesse território”, observou o BIS. “Após sua fase explosiva, uma bolha normalmente estoura com uma correção rápida e acentuada.”

Embora o FMI e o Banco da Inglaterra tenham recentemente alertado sobre o risco de uma bolha nas ações ligadas à IA, o BIS também destacou o papel dos investidores de varejo na alta do ouro e dos papéis americanos.

Segundo o BIS, investidores de varejo responderam pela maior parte dos aportes em fundos de ouro e ações dos EUA nos últimos três meses, enquanto investidores institucionais vinham reduzindo suas posições em ações americanas e mantendo estável sua exposição ao ouro.

O peso crescente desses investidores nos dois mercados pode “ameaçar a estabilidade mais adiante, dada sua propensão a comportamentos de manada, ampliando oscilações de preço caso ocorram vendas forçadas”, acrescentou.

Aportes em ETFs de ouro, que reúnem recursos tanto de investidores de varejo quanto institucionais, caminham para um ano recorde, segundo o World Gold Council.

Os preços do ouro recuaram do recorde de US$ 4.381 a onça troy atingido em outubro e estavam em US$ 4.200 nesta segunda (8). A disparada do ano tem múltiplos motores, incluindo compras de bancos centrais que buscam diversificar suas reservas e reduzir a dependência do dólar.

O temor dos investidores com inflação e endividamento público também reforçou o apelo do metal como porto seguro.

A compra por bancos centrais está em níveis historicamente elevados, em torno de 1.000 toneladas por ano desde 2022, mas a alta vertiginosa também obrigou alguns deles a vender parte do metal para permanecer dentro de seus limites de alocação.

O mercado de ouro já passou por ciclos de boom e colapso, incluindo em 1980, quando os preços atingiram um pico em meio à inflação e à crise do petróleo no Irã.

Os preços também dispararam após a crise financeira de 2008, atingindo US$ 1.830 a onça troy em setembro de 2011, antes de caírem 30% nos dois anos seguintes.

Sobre as ações americanas, o BIS afirmou que os ganhos das big techs “levantaram preocupações sobre valorizações excessivas e os riscos que uma correção de preços acarretaria para os mercados acionários mais amplos e para a economia”.

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