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Bolsa: alta do petróleo não deve deter fluxo para Brasil – 09/03/2026 – Economia

O fluxo de recursos de estrangeiros na Bolsa brasileira deve continuar apesar da recente escalada da guerra no Irã e criar um ambiente propício à realização de ofertas iniciais de ações neste ano, depois de um jejum de cinco anos, disse André Moor, chefe do banco de investimento do Bradesco BBI, à Folha.

Os investidores estrangeiros destinaram R$ 42,9 bilhões à compra de ações brasileiras na Bolsa até o dia 4 de março, segundo a B3, já descontadas as vendas. Esse saldo líquido já é maior do que todo o volume que ingressou no país no ano passado.

Nesta segunda-feira (9), o preço do petróleo ultrapassou momentaneamente a cotação de US$ 100 por barril, maior patamar em quatro anos, mas o Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,86%.

A razão por trás da continuidade dessa vinda de recursos para o Brasil, mesmo com a piora do cenário geopolítico, é o desejo dos gestores de recursos de mudar a composição de seus portfólios, segundo Moor. Isso também deve puxar a desvalorização global do dólar nos próximos 12 a 18 meses.

“É uma rotação de capital global, de um investidor estrangeiro olhando para seu portfólio e vendo que ele estava sobrealocado em tecnologia nos Estados Unidos”, diz Moor, em referência à avalanche de recursos que foi direcionada nos últimos anos às empresas ligadas a inteligência artificial, como a fabricante de chips americana Nvidia, que atingiu um valor de mercado de US$ 4,4 trilhões.

Essa realocação de recursos deve criar um ambiente propício aos IPOs na B3–o último aconteceu em 2021. “A gente tem algumas ofertas na rua, e elas continuam de pé”, afirmou. Na previsão do Bradesco BBI, as ofertas de ações, incluindo estreias em Bolsa e de companhias já listadas, devem movimentar de R$ 40 bilhões a R$ 45 bilhões nos próximos seis meses. Depois disso, a eleição presidencial deve tornar mais difícil o acesso à Bolsa.

TAXA DE JUROS

Depois de o barril do petróleo chegar a US$ 120 nesta segunda, investidores no mundo todo passaram a temer o contágio da commodity nos preços, trazendo inflação. Preços em alta poderiam influenciar o ritmo de cortes na taxa de juros no Brasil, esperados para a reunião do Comitê de Política Monetária dos dias 17 e 18 de março.

Para Moor, porém, o preço mais alto do petróleo não deve alterar a trajetória de queda de juros. “O BC [Banco Central] olha a inflação, que é super importante, mas a atividade econômica também é relevante. Então, a dosagem da queda de juros vai levar em consideração a inflação de curto prazo, com certeza, que tem cedido muito, e o preço do petróleo tem um impacto [nela], e também a atividade econômica, que vem perdendo pujança.”

Mesmo com o petróleo mais perto de US$ 100 o barril, a autoridade monetária ainda deve encontrar espaço para cortar juros.

Como os Estados Unidos também dependem de um preço da commodity mais baixo para controlar a inflação e abrir espaço para a queda dos juros, Moor disse acreditar que a escalada da guerra deve ser de curto prazo.

“Lá a gasolina é a spot [à vista]. Então o preço do petróleo subiu, amanhã o preço da gasolina sobe. E eles também têm as eleições primárias para acontecer em breve. Por isso a gente tem alguma confiança de que eles vão fazer tudo o que eles podem para reduzir o impacto”, disse o executivo.

Autor: Folha

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