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Brasileiro vence prêmio com plataforma de IA para autismo – 21/01/2026 – Equilíbrio e Saúde

A perda de espaço do rock na música brasileira levou Ronaldo Cohin, 42, à tecnologia e à criação de uma ferramenta de inteligência artificial para ajudar na saúde e na educação de pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Capixaba, Cohin era membro da banda de rock Rajar, que alcançou bom espaço no gênero nos anos 2000. Abriu shows para Demi Lovato e Eagle-Eye Cherry, tocou em grandes festivais do Brasil e sentou-se no sofá do programa de Jô Soares. “A única banda de rock do Espírito Santo a conquistar tal feito”, diz.

O grupo perdeu espaço no fim dos anos 2010. Formado em ciência da computação, Cohin então voltou à USP (Universidade de São Paulo) para um MBA em ciência de dados. Foi em 2017 que surgiu a ideia de criar a Jade, uma plataforma que usa jogos de estímulo para coletar dados cognitivos de crianças com transtorno do espectro autista ou síndrome de Down.

No último dia 14 de janeiro, a ferramenta foi premiada no Zayed Sustainability Prize, um dos principais prêmios de inovação do mundo.

A plataforma mapeia quais são as dificuldades de cada usuário e entrega, aos profissionais envolvidos em seus cuidados, um relatório das funções cognitivas. Isso permite personalizar o cuidado com a criança, melhorando a eficácia de tratamentos ou técnicas de educação, diz Cohin.

“O jogo funciona como uma série de desafios para a criança e, com base na tomada de decisão dela, a gente consegue entender por que ela está tendo dificuldades para executar algo”, explica.

A Jade foi testada na USP, em pesquisa que recrutou 650 crianças e avaliou os resultados de aprendizagem antes e depois de utilizada a plataforma. O resultado mostra aceleração de 43% no aprendizado após a personalização do ensino com a ferramenta.

Para profissionais de saúde, os resultados podem ajudar a ajustar tratamento para corrigir disfunções cognitivas da criança. Auxiliam também, dizem, no próprio diagnóstico do autismo.

“A gente tem memórias que nos ajudam a construir o aprendizado. A [memória] auditiva é uma delas, por exemplo. É ela que sintetiza, por meio do som, o que está sendo ensinado por um professor em sala de aula. Ao fazer o mapeamento com a Jade, conseguimos identificar o déficit em alguma dessas funções”, diz Cohin.

Hoje a ferramenta funciona em duas frentes, como aplicativo de celular (encontra-se na Play Store e na Apple Store) e como software educacional para escolas e educadores —é usada em nove municípios, nos ciclos de educação básica. Também é utilizada por psicólogos.

De acordo com o criador, mais de 200 mil crianças utilizaram a ferramenta no mundo desde a sua criação. Indiretamente, incluindo pais e cuidadores, são cerca de 600 mil pessoas beneficiadas, estima Cohin.

Pai de uma criança autista, Cohin diz que o objetivo da ferramenta é ajudar pessoas de baixa renda do país com pouco acesso a saúde e educação.

Segundo Cohin, o nome da plataforma surgiu durante a pesquisa na USP.

“A maior parte das pessoas que levavam seus filhos eram mulheres. Homens pouco acompanham os filhos autistas. Tinha que ser um nome feminino, simples e com um acrônimo: Jade significa Jogos de Aprendizagem para Desenvolvimento Educacional.”

Além do Zayed Sustainability Prize, láurea recebida em Abu Dhabi, a Jade também conquistou o Web Summit Rio, em 2023, e o GITEX –este último um dos mais importantes eventos de tecnologia do mundo, em Dubai.

Autor: Folha

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