O novo presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou que o banco público do Distrito Federal não vai quebrar, não sofrerá intervenção e nem será liquidado pelo Banco Central após a fraude envolvendo a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master por R$ 12,2 bilhões. A transação foi descoberta no ano passado e levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, além de revelar uma intrincada teia de operações que atinge os irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Souza diz que o governo do Distrito Federal fará os aportes necessários e o BRB buscará socorro do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cumprir exigências regulatórias.
“O BRB não vai quebrar, não vai ter intervenção, não vai ter liquidação”, disse em entrevista à Folha de S. Paulo publicada neste sábado (24).
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Souza assumiu o comando do BRB em 27 de novembro, após a saída de Paulo Henrique Costa, afastado e demitido depois de ser alvo da primeira fase da operação Compliance Zero, que descobriu a operação fraudulenta envolvendo o banco estatal do Distrito Federal e o Master.
Ele ainda confirmou que o BRB negocia uma linha de empréstimo emergencial com o FGC para atender à determinação do Banco Central de provisionar R$ 2,6 bilhões para cobrir as perdas causadas pela compra das carteiras de crédito fraudulentas do Master.
“Nós contribuímos e somos associados do FGC. Todos os bancos que precisam de capital, o primeiro lugar que vão é no FGC, que tem taxa de juros mais barata e prazo longo”, disse.
Para viabilizar o empréstimo, o governo do Distrito Federal, controlador do BRB, terá de apresentar garantias ao FGC, como ações de empresas estatais. A expectativa é que a operação seja concluída ainda no primeiro trimestre, permitindo que o banco cumpra os prazos regulatórios.
As estimativas iniciais para o prejuízo do BRB estão entre R$ 1,6 e R$ 2,2 bilhões, mas analistas estimam que podem ser ainda maiores. Na última segunda (19), o banco divulgou uma nota à imprensa na qual reafirma sua suficiência patrimonial e que segue sólido, estável e operando normalmente, sem qualquer risco de intervenção.
Segundo o BRB, as apurações do Banco Central e das auditorias independentes que contratou seguem em curso e qualquer dado não oficial divulgado é meramente especulativo. O banco ainda disse que dispõe de plano para recomposição de capital e negou que eventuais aportes do GDF possam retirar recursos previstos no orçamento para políticas públicas. Segundo a nota, o BRB estuda mecanismos para iniciar a venda dos ativos que adquiriu do Master.
Autor: Gazeta do Povo












