domingo, dezembro 28, 2025

C-Level Call discute recuperação dos Correios; assista – 11/12/2025 – Mercado

O sucesso da recuperação dos Correios para reverter o rombo bilionário dependerá da viabilidade das medidas do plano de reestruturação apresentado pela estatal e da transformação das receitas da companhia, afirmou a repórter especial da Folha Idiana Tomazelli durante a C-Level Call desta quinta-feira (11).

“Vai depender muito das condições, não só econômicas, mas políticas da implementação desse plano de reestruturação, que vai mexer em coisas sensíveis. A atual administração da empresa já está enfrentando muitas resistências”, disse.

A jornalista citou a insatisfação dos funcionários da estatal com possíveis mudanças em benefícios concedidos pelos Correios que vão além da prática corrente da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), firmados em acordo coletivo que vigorou até 31 de julho de 2025 e vem sendo prorrogado.

A Folha mostrou que a despesa com pessoal consome quase dois terços dos gastos correntes da companhia e deve alcançar R$ 15,1 bilhões este ano. Os incentivos extras incluem gratificação maior nas férias e hora tripla aos finais de semana e feriados.

“Isso não é proibido, não é ilegal, mas cada empresa precisa saber as condições financeiras para oferecer ou não esse tipo de benefício”, declarou Idiana, ao mencionar que o impasse na repactuação dos benefícios foi levado à mediação do TST (Tribunal Superior do Trabalho).

“Do jeito que está a empresa hoje, sem o empréstimo, não tem caixa para pagar, por exemplo, o 13º [salário] dos funcionários até o próximo dia 20. Realmente complica, porque [o trabalhador] tem acesso aos benefícios, mas, no fim das contas, pode ficar sem receber. Precisa haver um equilíbrio”, acrescentou.

A jornalista afirmou que ainda não há detalhes sobre possíveis parcerias dos Correios mirando salvar as contas, mas destacou que possibilidades como uma joint venture para atender um determinado tipo de serviço e eventualmente, a longo prazo, a abertura de capital para se tornar uma empresa de economia mista, como Petrobras e Banco do Brasil, estão na mesa.

Os bancos têm até a sexta (12) para sinalizar interesse em participar do empréstimo (que deve ser de R$ 12 bilhões) à estatal, depois de o Tesouro Nacional ter negado a concessão de garantia soberana aos R$ 20 bilhões por considerar alta a taxa de juros de 136% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), ou cerca de 20% ao ano.

O órgão prevê um teto de 120% do CDI (em torno de 18% ao ano) em operações desse tipo com prazo de dez anos.

“O que acontece se os Correios não conseguirem pagar esse empréstimo? Isso preocupa um pouco os bancos. Mesmo com a garantia da União, executivos envolvidos nessas conversas falam que não é só a garantia. Precisa avaliar a capacidade de pagamento da empresa. O ministro [da Fazenda] Fernando Haddad tem batido na tecla de que o plano de reestruturação precisa ser crível”, afirmou Idiana Tomazelli.

SELIC EM ANO ELEITORAL

A repórter da Folha Nathalia Garcia disse que, durante o ano eleitoral, “qualquer movimento muito brusco do Banco Central pode acabar gerando mais ruído do que benefício para a economia brasileira”, ao ser questionada sobre a falta de sinalização do Copom (Comitê de Política Monetária) em direção ao corte da Selic e os impactos para a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ela relembrou a declaração do ex-diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo à Folha, de que o ideal para os membros do Copom é que a autoridade monetária não tenha que fazer nada no período eleitoral. “Senão acaba podendo gerar um pouco de desconfiança, de estar favorecendo ou prejudicando um candidato, que é o candidato governista”, disse.

“O ideal seria o Banco Central começar a cortar juros o mais rápido possível para também poder estacionar, deixar [parado] num patamar e passar esse período eleitoral com menos turbulência, porque já é um período que gera muita volatilidade, principalmente de ativos, diante do risco que os investidores analisam”, completou.

Na última reunião do ano, na quarta (10), o colegiado decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros em 15% ao ano. O comunicado do Copom, segundo Nathalia, “não deu pistas com relação aos próximos passos” para 2026. “Não sinaliza que o esperado corte de juros aconteça em janeiro, mas não fecha portas”, disse.

“A divisão [no mercado] continua. Tem uma ala que acredita que já tem espaço para cortar [a Selic] em janeiro e uma outra que acredita que isso vai ficar para março. É interessante que quem acredita que os cortes vão começar em março também pensa que o movimento vai ser um pouco maior. Se começa em janeiro, cortaria 0,25 ponto percentual. Se começa em março, […] 0,5 ponto percentual”, afirmou.

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