Morreu neste domingo (11) a atriz Titina Medeiros, aos 48 anos. Ela vinha tratando um câncer no pâncreas há pelo menos seis meses. Titina era casada com o também ator César Ferrario. A atriz se destacou em vários trabalhos no teatro e em novelas da Globo como a eterna Socorro, fiel escudeira de Chayene (Claudia Abreu) em Cheias de Charme, em 2012, e mais recentemente como a vilã Nivalda em No Rancho Fundo, em 2024.
Segundo dados do Instituto Vencer o Câncer — Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), fundada pelos oncologistas Antonio Carlos Buzaid e Fernando Cotait Maluf –, o tumor de pâncreas é silencioso. Sua alta mortalidade se deve, principalmente, ao fato de mais de 50% dos pacientes já o descobrirem com metástase (processo pelo qual as células cancerígenas se espalham pelo corpo, formando novos tumores em outros órgãos), o que diminui as opções de tratamento e chances de cura.
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“Uma minoria vai se apresentar com doença localizada ou localmente avançada, quando saiu do pâncreas e foi para os gânglios”, explica Ricardo Carvalho, oncologista especialista da área e membro do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.
“De forma geral, a chance de cura do paciente com câncer de pâncreas é de 10%, sendo considerado cura estar vivo em cinco anos. Esse índice aumenta e chega a quase 40% quando o diagnóstico é precoce e cai para virtualmente 0% com metástase ao diagnóstico”, explica.
Titina Medeiros ganhou destaque como a eterna Socorro, fiel escudeira de Chayene (Claudia Abreu) em “Cheias de Charme”
TV GLOBO / Renato Rocha Miranda
Titina Medeitos como a Nivalda de “No Rancho Fundo”
Globo/Beatriz Damy
Atraso na descoberta
Segundo o médico, esse atraso na descoberta da doença acontece por dois motivos: porque não há exame de rastreamento efetivo e pela localização anatômica do órgão. “Não existe exame, seja de imagem ou de sangue, que possa fazer diagnóstico precoce. Normalmente o tumor é diagnosticado quando o paciente apresenta sintomas, o que acontece em fase avançada. Como a localização do pâncreas é em um ponto sensível, muito próximo do estômago, da aorta e de vasos importantes, mesmo tumores pequenos às vezes são considerados inoperáveis. Muitos ganham a corrente sanguínea e se disseminam para outros órgãos”, ressalta o oncologista.
Sintomas
Os sintomas que podem indicar o tumor são muito genéricos e também contribuem para a demora do diagnóstico: perda de apetite; perda de peso; dor abdominal (pode ser uma dor na região do estômago); náuseas e vômitos.
“As pessoas sentem dor e deixam para lá, acham que é gastrite ou úlcera, perdem peso e quando vão diagnosticar está avançado”, conta o médico, que complementa que em fases mais avançadas pode haver obstrução da drenagem da bile, o que causa icterícia, o amarelão, que deixa os olhos amarelos, a urina bem amarelada e as fezes claras.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito com exame de imagem, começando com ultrassom e depois tomografia ou ressonância do abdômen. O oncologista acrescenta que os pacientes deverão ser submetidos à biópsia, que pode ser guiada por tomografia, um exame ambulatorial simples, com anestesia local e incisão de agulha na barriga, ou ecoendoscopia, que é um pouco menos invasiva. A amostra é essencial para saber o estágio da doença e definir o tratamento, se será cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou uma combinação desses métodos.
“Há vários protocolos. Normalmente, quando o tumor é muito inicial, o tratamento é cirúrgico e depois faz quimioterapia. Para tumor intermediário ou localmente avançado, geralmente é realizado um tratamento – quimioterapia, radioterapia ou ambos – antes da cirurgia. Com metástase a cirurgia deixa de ser opção, tratando apenas com quimioterapia”, esclarece.
Novidades no tratamento
Entre as novidades no tratamento do câncer de pâncreas, o médico cita avanço de técnicas cirúrgicas e de radioterapia, novos esquemas de quimioterapia mais efetivos, que aumentam a expectativa de cura dos pacientes. “Há uma tendência, em casos localizados, em algumas situações específicas, de começar algum tratamento antes da cirurgia, quimioterapia com ou sem radioterapia, o que tem trazido bons resultados”, afirma. Há também opções para os 10% dos pacientes que têm mutações no BRCA 1 ou 2, com medicamentos orais.
“São realizados vários estudos para tentar descobrir um exame que consiga ajudar a obter um diagnóstico mais precoce, além de avaliações do papel da imunoterapia e outras moléculas novas, à medida que a oncologia se aprofunda no campo molecular, para entender melhor a base da doença e identificar um alvo que tenha uma droga que possa ser utilizada”, conta.
Fatores de risco
O médico chama atenção aos fatores de risco, sendo 10% genéticos e 90% fatores externos: cigarro é o principal – quem fuma tem aproximadamente de 20% a 30% maior risco de desenvolver esse tumor; obesidade; sedentarismo; dieta rica em enlatados, embutidos, condimentados e pobre em verduras e fibras; abuso de álcool; pancreatite crônica; e idade – pessoas acima de 60 – 65 anos.
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