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Canetas emagrecedoras mudam relação com atividade física – 06/03/2026 – Equilíbrio

Jamie Selzler, 47, começou a usar Wegovy para perder de peso em 2023 após dificuldades de caminhar associadas ao ganho de peso. Segundo Selzler, emagrecer tornou a atividade física mais viável.

Desde então, ele caminha ou faz trilhas de mais de 11 quilômetros por dia, em Fargo, da Dakota do Norte (EUA), e pratica musculação quatro vezes por semana. Recentemente, ele concluiu uma certificação como personal trainer.

Para muitos americanos, os medicamentos para perda de peso —conhecidos como GLP-1— estão transformando a maneira como lidam com exercícios e, em alguns casos, remodelando uma atividade considerada vergonhosa.

Em entrevistas ao jornal americano New York Times, mais de uma dúzia de pessoas que estão tomando medicamentos como Ozempic para tratar obesidade ou diabetes disseram que estavam descobrindo que, livres da pressão de se exercitar para queimar calorias ou quilos, conseguiam se conectar melhor com as atividades físicas. Em vez de verem o exercício como punição por comer demais, agora o entendem como um caminho para se sentir bem.

Quando as pessoas estão tentando perder peso sem esses medicamentos, frequentemente ficam consumidas pelos detalhes de quanto comer ou se movimentar, diz Summer Kessel, nutricionista especializada em tratamento de obesidade que toma Zepbound.

“A maioria das pessoas não tem espaço mental enquanto está de dieta para perguntar: ‘Por que eu odeio exercícios?’ Os medicamentos podem liberar as pessoas para “tomar decisões diferentes sobre exercícios”, afirma.

Por décadas, a indústria fitness esteve entrelaçada com a perda de peso, diz Renee Rogers, fisiologista do exercício e pesquisadora de obesidade do Centro Médico da Universidade de Kansas, apesar do fato de que o exercício sozinho geralmente não é uma estratégia eficaz para perder peso.

Com a ascensão desses medicamentos, os profissionais de exercício têm a oportunidade de ajudar as pessoas a redefinir o papel do movimento em suas vidas, segundo Rogers.

“AGORA EU VEJO A COMIDA COMO COMBUSTÍVEL”

Muitas pessoas que tomam os medicamentos disseram que se sentiram mais motivadas a fazer musculação.

Dana Greene, 59, sempre viu malhar como uma obrigação, mas quando começou a tomar Mounjaro, de repente se sentiu animada para usar os aparelhos de musculação na academia.

Dois anos depois de começar a medicação, uma árvore caiu em sua propriedade. Em dois fins de semana, ela cortou e removeu a árvore inteira. “Meu pai, meu irmão, todo mundo ficou tipo: ‘caramba’. Eu fiz tudo sozinha.”

Para algumas pessoas, esses medicamentos também estão ajudando a tornar o exercício mais confortável fisicamente.

Quando Lee Anglea, 57, começou a tomar Mounjaro em 2024, ela sentia uma dor constante nos tornozelos, joelhos, quadris e lombar. Frequentemente usava uma bengala. “Eu tinha pavor de exercícios. Se eu tentasse caminhar, sentia dor por dias.”

Pouco depois de tomar sua primeira dose sua dor diminuiu, e ela aumentou a quantidade de passos diários. Também começou a fazer treino de resistência e yoga. Com o tempo, ela foi se sentindo cada dia melhor e adorava como o movimento acalmava sua mente.

“Eu realmente achava que as pessoas que diziam ‘exercício pode te fazer mais feliz, exercício é divertido’ não estavam falando a verdade. Eu simplesmente não conseguia entender como isso poderia ser possível”, afirma.

“No ano passado, quando curzei a linha de chegada de minha primeira corrida de 5 km, chorei como uma criança. Simplesmente não conseguia acreditar”, diz Anglea.

Algumas pessoas que tomam esses medicamentos e fazendo exercícios também passaram a ver a comida como uma fonte fital de energia, em vez de um impedimento para sua saúde.

“Por muitos anos antes do GLP-1, eu via a comida como a recompensa por fazer o movimento. Agora eu vejo a comida como combustível para meu movimento”, diz Selzler.

“É meio que uma faca de dois gumes”

Nem todos que tomam medicamentos para perda de peso tiveram uma experiência tão positiva com exercícios. Fóruns online estão cheios de conversas sobre a dificuldade de superar a fadiga ou os efeitos colaterais dos medicamentos que podem dificultar o movimento.

Para alguns, isso pode ser causado por não comer ou se hidratar o suficiente, já que os medicamentos funcionam em parte suprimindo o apetite e também podem reduzir a sede.

E com todo o foco em preservar músculos, algumas pessoas estão priorizando proteína às custas de uma dieta equilibrada com bastante líquidos, o que pode melhorar sua resistência e força, disseram especialistas.

Para Becky Hinman, 38, jogadora de tênis amador, o Zepbound foi “meio que uma faca de dois gumes”. Embora perder peso tenha aliviado sua dor no joelho e a tornado mais rápida na quadra, ela se cansava mais rapidamente e tinha dificuldade para completar uma partida simples. Eventualmente, ela reduziu sua dose e melhorou sua nutrição e hidratação, e descobriu que os efeitos colaterais melhoraram.

“NÃO VOU VOLTAR ATRÁS”

A indústria fitness está lentamente se adaptando a um mundo em que promessas de perda de peso dramática podem não mais atrair pessoas. Alguns profissionais do mundo fitness veem os medicamentos para perda de peso como uma ameaça, enquanto outros vendem planos de atividades especificamente para pessoas que tomam os medicamentos.

Rogers, que tem trabalhado com o American Council on Exercise para educar profissionais de exercício sobre os medicamentos, é cautelosa em relação a esses programas, já que não está claro em quais evidências eles se baseiam.

Em vez disso, Rogers vê os medicamentos como uma oportunidade de ajudar mais pessoas a encontrar alegria e significado no exercício, e descobrir o que funciona melhor para elas.

“Não podemos ignorar que, para aquelas pessoas que não se identificavam como pessoas que se exercitam, ou que tiveram uma experiência negativa, elas podem precisar de um pouco mais de apoio para chegar lá”, diz.

Selzler agora não consegue imaginar uma vida sem longas caminhadas pelos parques de Dakota do Norte, ou sem ver seu supino melhorar na academia. “É como se eu tivesse saído da prisão, e não vou voltar.”

Autor: Folha

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