Uma nova tendência tomou conta do Reels (Instagram) e do TikTok. Usuários pedem ao ChatGPT que crie uma caricatura com base em “tudo o que ele já sabe” sobre quem está conversando. Os resultados são desenhos que retratam profissões e características da personalidade da pessoa que conversa com o robô.
A brincadeira, porém, envolve alguns riscos de privacidade, segundo especialistas em cibersegurança. Para obter resultados mais “precisos”, muitas pessoas acabam enviando fotos próprias e fornecendo detalhes adicionais sobre suas vidas, como profissão, nome da empresa, cidade onde moram e até hábitos da rotina.
“A exposição acumulada de dados pessoais pode se tornar uma porta de entrada para ataques de engenharia social, roubo de identidade ou golpes personalizados“, afirma Fabio Assolini, diretor da equipe global de pesquisa e análise da Kaspersky, empresa de cibersegurança.
De acordo com a Kaspersky, se o usuário não adota cuidados básicos —como usar um chat temporário ou desautorizar o uso de dados para treinamento de modelos— existe o risco de que essas informações sejam armazenadas e eventualmente exploradas de forma indevida.
A reportagem testou a ferramenta seguindo as orientações de segurança sugeridas por especialistas. Com um prompt simples (“Crie uma caricatura minha com base em tudo o que você sabe sobre mim”), o ChatGPT respondeu: “Adorei a ideia. Mas, para fazer uma caricatura que realmente pareça com você, preciso de pelo menos uma foto sua. Se quiser, pode enviar uma selfie (ou duas, de ângulos diferentes)”.
Um estudo da Kaspersky apontou que 36% dos brasileiros admitem não revisar as permissões solicitadas por um aplicativo antes de instalá-lo, seja porque as informações são muito extensas ou simplesmente por falta de atenção. Além disso, quase dois em cada dez brasileiros (14%) não sabem reconhecer uma mensagem falsa, que normalmente utiliza informações pessoais da vítima para aumentar a legitimidade.
“Alguém que compartilha detalhes sobre seu trabalho, sua família ou sua rotina está, sem perceber, facilitando informações que podem ser usadas para fraudes altamente direcionadas ou suplantação de identidade”, diz Fabio.
VEJA DICAS PARA SE PROTEGER NA TREND DA CARICATURA NO CHATGPT
- Evite inserir dados identificáveis no prompt, como nome completo, cargo, empresa, cidade, endereço, horários ou rotinas;
- Dê preferência para o modo “Chat Temporário”, no canto esquerdo superior da tela, que permite ao usuário ter conversas que não são armazenadas em seu histórico;
- Em “Configurações”, “Controlar dados”, desative a opção “Melhorar o modelo para todo mundo”, que permite que o conteúdo seja utilizado para treinar novos modelos;
- Não compartilhe informações nem imagens de menores de idade, nem revele dados familiares que possam ser usados para golpistas se passarem por parentes ou amigos ou criar golpes emocionais;
- Revise a política de privacidade e as permissões da plataforma antes de usá-la;
- Reforce a segurança dos dispositivos onde esses conteúdos são criados e compartilhados.
Autor: Folha



















