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CNE proíbe carga horária escolar em igrejas e partidos

O Conselho Nacional de Educação aprovou uma resolução que impede alunos do ensino médio em tempo integral de cumprir carga horária em instituições religiosas ou políticas. A medida busca evitar a cooptação ideológica, mas gera debates sobre burocracia e autonomia das redes de ensino.

O que muda com a nova resolução aprovada pelo CNE?

Estudantes do ensino médio que estudam em tempo integral não poderão mais somar horas escolares por meio de estágios, trabalhos voluntários ou experiências práticas realizadas dentro de igrejas ou sedes de partidos políticos. Antes, essas vivências extraescolares podiam ser validadas como parte do aprendizado, mas agora ficam restritas a instituições sem esses vínculos específicos.

Quais críticas foram feitas à decisão do conselho?

Críticos e especialistas apontam que a regra é confusa e gera burocracia desnecessária para os diretores de escola. Eles argumentam que muitas instituições religiosas oferecem atividades administrativas ou de marketing que seriam ricas para a formação profissional do aluno, independentemente da fé. Além disso, questionam por que ONGs com forte viés ideológico continuam permitidas enquanto igrejas foram barradas.

A medida afeta as universidades confessionais, como as PUCs?

Não. O órgão esclareceu que a resolução não atinge instituições de ensino formal que possuem vínculo religioso (como faculdades e escolas confessionais). A proibição foca especificamente em entidades religiosas privadas, como templos ou centros comunitários ligados a igrejas, que não têm uma estrutura de ensino formal reconhecida, mas que costumavam receber alunos para atividades práticas.

Qual é a situação atual da educação no ensino médio brasileiro?

A decisão ocorre em um momento crítico: o 2º ano do ensino médio registrou recordes de 12,3% de abandono escolar e 11,1% de reprovação. Especialistas alertam que o foco das autoridades deveria estar na reforma do currículo e em políticas para manter o aluno na sala de aula, em vez de se concentrar em restrições que atingem apenas os 25% das escolas que operam em tempo integral.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

VEJA TAMBÉM:

  • CNE combate “cooptação religiosa” de alunos, enquanto ignora problemas urgentes da educação

Autor: Gazeta do Povo

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