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Com entressolas enormes, tênis viraram tamancos – 06/04/2026 – No Corre

O céu parece ser o limite para os tênis de corrida. Para a altura da entressola dos tênis de corrida, ao menos. Até mesmo a Fila, que se notabilizou há um par de anos por manter uma família de origem minimalista, com solado baixo, a KR (de Kenya Racer), foi abduzida pelo tal “maximalismo”.

Maximalismo é o nome usado pela indústria para enquadrar os tênis que agora produzem, que mais parecem tamancos holandeses de Holambra de tão altos. É a rendição ao princípio da marca Hoka, que enfunou a onda na década passada com seus tênis de amortecimento máximo, como se os usuários tivessem “marshmallow”, como diziam, “sob os pés”.

O mais importante lançamento do ano da Fila, o Speedrocker, chega a ter 55 mm de distância entre o cabedal e o chão –no calcanhar, são 39 mm.

As marcas têm conseguido tirar o peso de seus produtos, mesmo jogando camadas e camadas de amortecimento. A palavra que agora gostam de usar é “responsividade”, que seria a capacidade que a espuma termoplástica da entressola tem de jogar para a frente o corredor, agregando energia à passada.

Acho pouco provável que alguém em pace moderado, a 12 km/h, digamos, consiga usufruir desse efeito cuja lógica seria a mesma de um trampolim.

A única vez que senti esse efeito trampolim foi num cascalho de 10 km com um Kangoo Jumps nos pés. O Jumps não é um tênis de corrida, mas uma espécie de bota de patim com arcos flexíveis. Muito mais do que para correr, ele é usado amiúde em academia para aulas saltitantes de cárdio.

Se quiser ver como esse produto suíço se comporta em corrida, há em vídeo um teste do aparato feito por mim para o meu site Jornalistas que Correm, que Deus o tenha.

De volta ao maximalismo, perguntei ao Gustavo Birenbaum, gerente de produto da Fila, a partir de que velocidade começa-se a sentir a responsividade de um tênis. Ele não soube precisar um número, mas disse que para todos os que dizem “não senti-la”, sugere diminuir o tempo de contato do pé com o solo.

Dois importantes diferenciais do Speedrocker são o reforço de amortecimento no mediopé, e não no calcanhar, e a mesma angulação de curvatura do tênis na frente e no calcanhar, algo que, alega a marca, ajuda a otimizar justamente esse toque com o solo —e a decolagem.

A Fila ainda vai colocar no mercado um primo do Speedrocker, o Aero, com preço mais acessível –R$ 599 contra o R$ 799 do primeiro, mas com menos amortecimento e responsividade.

Gustavo também disse que os limites de altura de entressola podem não ter sido atingidos com o Speedrocker e citou como referência a estadunidense Brooks, cujo Glycerin Max chega aos 47 mm no calcanhar. A Adidas também ganhou bastante visibilidade no quesito ao colocar no mercado o Hyperboost Edge, 45 mm no calcanhar.

Enfim, é cada vez mais raro encontrar alguém como este colunista, que ainda persiste na corrida (quase) descalça e acredita que cabe à nossa musculatura criar seu próprio antídoto ao impacto da pisada.

É por isso que coloco para trabalhar o gaúcho Fiber Barefoot Ultra, zero amortecimento, 10 mm no calcanhar, minimalista como as primeiras edições do Kenya Racer, da Fila, um dia foram.

Conto para vocês lá por 2040 o que meus joelhos terão achado dessa decisão.


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Autor: Folha

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