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Comer chocolate às 4h é sinal de alerta do peso do passado – 19/01/2026 – Vida de Alcoólatra

Acordei com uma vontade louca de comer chocolate. Estranhei, mas então fui lembrando do meu sonho. Nossa família estava reunida em uma praia para algum evento, algo como Natal ou Ano-Novo. Algumas amigas também estavam lá, e eu tinha bebido. Estava alegre demais, com a voz arrastada e sendo inconveniente. A ponto de ficar dando em cima de homens casados. Fim do sonho.

Não tinha chocolate em casa, mas lembrei da loja de conveniência no térreo do prédio. Desci e comprei uma barrinha, que devorei. Voltei a deitar, lembrando, aliviada, que meu comportamento inadequado só tinha ocorrido no sonho.

Adormeci novamente e voltei a sonhar. Estava na mesma praia, mas agora eu podia ver a raiva estampada no rosto das pessoas. Sobretudo nos meus irmãos e na minha mãe. Comecei a chorar e, com a força do pensamento, voltei para a realidade. Era tudo um sonho.

Notei que nos dois sonhos minha irmã não estava presente. Não vi o rosto dela magoado ou enraivecido. E então fiz uma costura de acontecimentos: talvez ela estivesse ausente por causa do email que eu tinha lido no dia anterior. Tiago me escreveu um relato lindo sobre seu irmão, que tinha parado de beber depois de tantas tentativas. Ele falava de felicidade, de alívio, de amor fraterno. Cada linha ressaltava a importância daquele acontecimento para toda a família.

Ao ler o email, pensei muito na minha irmã. Talvez a pessoa que mais tenha sofrido com o meu alcoolismo e, ao mesmo tempo, a que mais me ajudou. A que ficou. A que acreditou quando eu já não tinha tanta força.

Minha irmã não ter aparecido no sonho me deixou feliz. Feliz também porque hoje fazemos programas juntas, rimos juntas. A vida seguiu e a batalha agora é outra: a corrida diária e a balança. Nos divertimos com isso. Já é o segundo final de semana que vamos ao cinema, e ela me “autoriza” ou não a beber um refrigerante, ou comer alguma coisa. Uma brincadeira, mas também um cuidado.

Mais uma vez, ela quer o meu bem. E eu pedi ajuda nesse sentido. Hoje posso fazer isso sem vergonha. Hoje posso dividir. Agora ela vai saber que eu comi um chocolate por volta das quatro da manhã. E está tudo bem. Não foi fuga, não foi recaída, foi consciência. Foi acordar, lembrar do sonho, sentir o peso do passado e, ainda assim, escolher ficar no presente.

Talvez o sonho tenha vindo para me lembrar de onde eu vim. E o chocolate, pequeno e simples, tenha sido só um jeito do corpo dizer que, se eu vacilar, vou ter vontade de beber. O chocolate corta o desejo do álcool e isso eu aprendo conscientemente.

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Autor: Folha

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