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Como a Hyrox se tornou o Everest do atleta do dia a dia – 08/04/2026 – Equilíbrio

Quando Jessica Thompson, 39, entrou no Hyrox Atlanta, em outubro passado, sentiu-se intimidada pelo mar de corpos sarados. Ela havia passado meses treinando para a corrida de fitness, mas vendo homens e mulheres musculosos correndo e agachando, questionou se deveria se inscrever. “Fiquei apavorada”, disse. “Quase dei meia-volta e fui embora.”

Mas, ao atravessar o túnel de largada característico do Hyrox, ela se sentiu calma e confiante.

Naquele dia, ela competia como atleta adaptada. Após sobreviver a um acidente de carro quase 20 anos antes, tinha mobilidade limitada no braço esquerdo e dificuldades de equilíbrio. Mas ela adorava um desafio. E, à medida que avançava na corrida, era impulsionada pelos aplausos dos espectadores.

“Eu estava acostumada a ouvir que não podia fazer nada”, disse. Thompson. Provar para si mesma que conseguia fazer um Hyrox, segundo ela, foi uma experiência transformadora.

Desde que o Hyrox começou na Alemanha em 2017, os eventos explodiram em popularidade. As inscrições para as corridas esgotam em minutos e, em algumas cidades, há listas de espera com milhares de participantes. Mais de 1,5 milhão de pessoas com idades entre 16 e 85 anos já competiram em pelo menos uma corrida Hyrox, em 30 países. Desde o ano passado, o evento na cidade de Nova York triplicou de tamanho, passando de 15 mil para cerca de 50 mil inscritos.

Em uma corrida Hyrox, os participantes alternam entre correr um quilômetro e realizar oito exercícios, incluindo puxar e empurrar trenó, saltos em distância com burpees e o transporte de peso pelo corpo. Eles podem se inscrever como competidores individuais, em duplas ou em revezamentos.

Nos seus primeiros anos, o Hyrox tendia a atrair os mais atléticos. Mas agora, pessoas com níveis de condicionamento físico e habilidades mais variados estão se inscrevendo. Mais de 15 mil academias em todo o mundo se tornaram centros de treinamento oficiais.

Dan Trink, preparador físico na cidade de Nova York, é dono da academia The Fort, que agora é afiliada oficial do Hyrox. No primeiro ano em que competiu em uma prova de Hyrox, em 2022, ele disse: “Entrei e, tipo, tinha mais tanquinho do que nariz. Todo mundo lá era sarado”. No evento do ano passado em Nova York, “tinha um pouco de tudo”, completou.

Transformar o treino em esporte

Em muitos aspectos, o Hyrox segue a tradição de corridas de obstáculos como Tough Mudder e Spartan, triatlos Ironman, competições de Crossfit e maratonas.

Mas os entusiastas do Hyrox dizem que a barreira de entrada é menor do que para muitos outros eventos, em parte porque os exercícios principais —todos movimentos funcionais— podem ser praticados com equipamentos básicos de academia e não exigem muito tempo.

“Quando as corridas Spartan estavam na moda, você saía de lá todo enlameado e às vezes até ensanguentado”, disse Shay Kostabi, instrutor de fitness de longa data e cofundador da empresa de consultoria do setor, Fitcarma. Em comparação, o Hyrox é um local fechado, limpo e seguro, mas ainda assim desafiador o suficiente para dar aos participantes uma sensação de orgulho.

Embora sejam testes de resistência, sua popularidade provavelmente também foi impulsionada por um crescente interesse em treinamento de força . “Isso satisfaz essa necessidade”, disse Kostabi, além de tornar a atividade menos árdua.

Isso foi intencional, segundo Moritz Furste, cofundador do Hyrox e três vezes medalhista olímpico no hóquei em campo.

Em 2017, quando Furste e seu cofundador, Christian Toetzke, tiveram a ideia inicial para o Hyrox, eles viram uma oportunidade de criar uma competição para pessoas que praticam exercícios físicos no dia a dia e que não tinham interesse em treinar para um evento como uma maratona, mas que também desejavam um objetivo desafiador, porém alcançável.

Eles perceberam que os treinos de muitas pessoas envolviam uma mistura de exercícios cardiovasculares e de força, em vez de se concentrarem em uma única atividade, então criaram um programa híbrido que combinasse os dois.

Eles queriam criar “um campo de jogo para aqueles que frequentavam a academia”, disse Furste.

Por décadas, treinadores e empreendedores experientes têm buscado maneiras de transformar a ida à academia em um esporte, disse Mark Dyreson, professor de cinesiologia e codiretor do Centro de Estudos do Esporte na Sociedade da Universidade Estadual da Pensilvânia.

No final do século 19, funcionários da YMCA inventaram o basquete para motivar os membros a se manterem ativos em ambientes fechados durante os meses de inverno. Competições de fisiculturismo, levantamento de peso e powerlifting ofereceram outra alternativa.

“Algumas pessoas adoram ir à academia e treinar em circuito, mas para a maioria, historicamente, isso é bastante entediante, não é?. Se você conseguir transformar algo em uma competição, em um jogo, o interesse aumenta muito”, disse Dyreson

Helen Ogunjimi, 41, personal trainer em Chicago, disse que se inscrever no Hyrox a desafiou de uma forma que sentia falta. Ogunjimi jogou basquete na faculdade e em times profissionais no exterior, mas, com a idade, seus treinos se tornaram menos variados.

A princípio, quando uma amiga a incentivou a se inscrever, ela hesitou. “Eu pensei: ‘nossa, isso parece muito, muito difícil'”, disse ela, em parte porque evitava correr desde os tempos do basquete. “Eu estava meio assustada, sabe, porque fazia muito tempo que eu não movimentava meu corpo assim.” Ao mesmo tempo, pensou consigo mesma que, com um pouco de treino, conseguiria.

Ela competiu no Hyrox Chicago em novembro passado e planeja competir no Japão neste verão. Ela espera se tornar uma das primeiras mulheres negras a se classificar para o Campeonato Mundial de Hyrox, uma corrida apenas para convidados, destinada aos 15 melhores competidores masculinos e femininos de cada categoria.

Ela ficou surpresa com o quanto tem gostado de voltar a correr —em pequenas doses. “Estou fortalecendo meu motor”, afirmou.

Competição e camaradagem

A ascensão meteórica do Hyrox pode ser atribuída, pelo menos em parte, aos participantes que completam a prova e compartilham seus triunfos nas redes sociais, tornando-a uma aspiração para as massas. O fato de todos parecerem competidores ferozes nas fotos oficiais divulgadas pelo Hyrox também contribui para isso, afirmou Trink, preparador físico em Nova York.

Também pode oferecer aos atletas amadores a oportunidade de provar a si mesmos que são fisicamente capazes, disse Kelly McGonigal, psicóloga da saúde e professora da Universidade Stanford. Muitos frequentadores de academias são atraídos pelo fato de que os exercícios principais do Hyrox —empurrar, puxar, carregar, correr e muito mais— são movimentos que você usa no dia a dia. E, ao contrário das corridas de rua, as corridas de Hyrox não têm um “pelotão de trás”, já que novas ondas de participantes estão sempre largando.

O espírito de camaradagem do Hyrox também pode ser um antídoto para a nossa era de isolamento social, disse McGonigal.

Quando Thompson, a atleta com deficiência, estava se aquecendo antes do início da corrida, outra participante chamou sua atenção e se aproximou. Ela viu Thompson com dificuldades para amarrar o cadarço do tênis por causa do tremor nas mãos e se ofereceu para apertá-lo para ela. “Mesmo em um ambiente competitivo, as pessoas ainda se preocupam umas com as outras”, disse.

Autor: Folha

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