O psiquiatra e escritor Augusto Cury foi lançado como pré-candidato a presidente da República pelo partido Avante no último domingo (5), após se filiar ao partido no prazo final para a disputa da eleição deste ano. Segundo a legislação eleitoral, os candidatos que vão concorrer nas urnas devem estar filiados a um partido político até seis meses antes do pleito.
Um dos escritores mais lidos do Brasil, Cury havia demonstrado interesse em disputar a eleição ao Palácio do Planalto nos últimos meses, mas esbarrava na falta de espaço em uma legenda para abrigar o projeto político. “Minha candidatura só será possível se houver um partido que me convide, pois desejo fazer uma política de Estado, e não de partidos. Gostaria de ser procurado por partidos para que possamos conversar sobre projetos e não sobre pessoas ou ideologias. Caso não haja essa abertura ao diálogo, minha pré-candidatura não se viabilizará”, havia dito o escritor em março.
O convite que sacramentou a pré-candidatura do autor de best-sellers partiu do presidente nacional do Avante, o mineiro Luís Tibé, que esteve ao lado dele durante o anúncio da filiação e da entrada na corrida presidencial. “A radicalização é agressiva, desumana e valoriza muito mais os projetos pessoais do que um projeto para o Brasil”, afirmou o pré-candidato.
Cury disse que teve encontros com presidentes de partidos para discutir o projeto presidencial, entre eles Gilberto Kassab (PSD); Marcos Pereira (Republicanos); Aécio Neves (PSDB); Renata Abreu (Podemos); e Suêd Haidar (PMB). Além disso, ele disse que se reuniu com o ex-presidente da República Michel Temer (MDB).
“Tive diálogos ricos e inteligentes com todos eles e, como sempre, sigo sendo um colecionador de bons amigos. Meu objetivo é contribuir para a construção do Brasil dos nossos sonhos. Não amo o poder, não preciso do poder e não busco o poder pelo poder. Uma jornada 100% baseada em projetos e 0% de ataques pessoais”, declarou.
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Avante aposta no perfil motivacional de Augusto Cury
Conhecido pela atuação na área da psicologia e desenvolvimento pessoal, Augusto Cury construiu uma carreira consolidada no mercado editorial. Os livros dele venderam dezenas de milhões de exemplares no Brasil e no exterior, sendo traduzidos para idiomas diversos em 90 países.
Entre as obras mais conhecidas do escritor e pré-candidato estão “O vendedor de sonhos”; “Ansiedade – como enfrentar o mal do século”; “Nunca desista de seus sonhos” e “O futuro da humanidade”. Os títulos, voltados à inteligência emocional e à gestão da mente, ajudaram a consolidar a imagem de Augusto Cury como um dos principais autores de autoajuda do país.
A tendência é que o Avante mantenha o foco no estilo motivacional do escritor e palestrante durante a campanha para aproximá-lo do eleitorado, com um discurso alternativo ao tradicional, com tentativa de cativar o brasileiro em áreas como saúde emocional, educação e valorização profissional de categorias como policiais e professores. “Cury entra no cenário político com a proposta de fortalecer o equilíbrio emocional, a educação e a gestão humanizada no Brasil”, disse o partido em posicionamento público.
Na avaliação da sigla, o Avante passará a disputar o protagonismo no debate político com o lançamento da pré-candidatura presidencial pela construção de um projeto para o país, “pautado na inovação, no respeito e no desenvolvimento integral do cidadão.” Além do alinhamento de prioridades no plano de governo, o partido demonstrou a mesma preocupação do que o pré-candidato em relação à polarização política, simbolizada na próxima eleição presidencial pela disputa entre o presidente Lula (PT) e o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).
“Espero que a gente possa contribuir para fazer um país melhor, que a gente possa pacificar esse país, que é o sonho de todos. O Brasil não aguenta mais essa polarização”, disse o presidente do Avante, Luís Tibé.
Segundo Cury, a entrada na corrida presidencial não está ligada a um projeto de carreira política. “O que me move é apenas o desejo de servir. Coloco-me à disposição do Brasil somente nestas eleições e apenas por um mandato de quatro anos”, disse no último mês.
“Meu objetivo não é ser refém de nenhum partido, mas sim ser refém de um projeto para o Brasil dos nossos sonhos até 2050”, completou. O escritor tem apresentado preocupações com transformações econômicas e sociais, especialmente no impacto da tecnologia sobre o mercado de trabalho.
“A inteligência artificial e a robótica retirarão dezenas de milhões de empregos nos próximos anos. Se não houver milhões de pequenos empreendedores, será o caos social”, alertou.
Autor: Gazeta do Povo








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