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Como lidar com parceiro que negligencia a saúde – 12/04/2026 – Equilíbrio

Pergunta: Meu marido e eu estamos juntos há quase 20 anos. Nos casamos mais tarde e estamos chegando aos 60. Por razões que não consegue me explicar, ele se recusa a ir ao médico ou ao dentista. Em duas ocasiões distintas em que ele apresentou sinais físicos de que algo estava errado e sugeri que procurasse um médico, ele ignorou ou ficou bravo comigo por tocar no assunto. Nas duas vezes, ele foi hospitalizado por doenças graves e ficou afastado do trabalho.

À medida que nos aproximamos da aposentadoria, que está a cerca de sete anos de distância, estou me sentindo ressentida com essa falta de autocuidado, além do fato de que a única pessoa poupando para a aposentadoria sou eu. Estou preocupada que, se meu marido continuar se negligenciando, vou acabar gastando minha aposentadoria e nossos fundos de aposentadoria cuidando dele quando a saúde dele falhar.

Ele é uma ótima pessoa em todos os outros aspectos, mas está colocando nós dois em uma situação precária. Está chegando ao ponto em que estou ressentida e sinto que ele é um peso em vez de um parceiro.

Resposta da terapeuta: Quando você descreve seu marido como “uma ótima pessoa em todos os outros aspectos”, percebo o quanto você quer se apegar ao que há de bom entre vocês. Mas também me pergunto se essa forma de enxergar a situação é parte do que está te mantendo presa.

Tudo com o que você está preocupada —a recusa dele em cuidar da própria saúde, o padrão de evitar médicos mesmo após consequências graves, a opção de se isentar da responsabilidade pelo futuro financeiro de vocês— não é uma questão secundária em relação a “todos os outros aspectos”.

Segurança não é um bônus em uma parceria de longo prazo. É a base. E, como acontece com outras formas de sustento, quando essa base está comprometida, a questão não é quão bom é o resto da refeição. A questão é: dá para viver disso?

Parece que a resposta a que você está chegando é não. Seu marido não está apenas negligenciando o próprio bem-estar; ele também está negligenciando o seu. Ele se recusa a ver que, quando algo em um relacionamento tem consequências compartilhadas, não é mais apenas uma decisão pessoal.

Você diz que teve conversas sobre isso por anos sem nenhuma mudança, e me pergunto como elas foram. Pergunte a si mesma: eu comuniquei claramente o seguinte a ele?

A forma como você está vivendo sua vida me faz sentir como se eu estivesse planejando um futuro sozinha. Me preocupo que você vá morrer cedo, ou que sua saúde piore de maneiras que vão limitar nosso aproveitamento desses anos juntos. Estou preocupada que você esteja colocando em risco a aposentadoria que imaginei para nós, o que me deixa tão ressentida que está mudando a forma como me sinto em relação a você e a nós. Preciso que você se junte a mim para criar uma parceria mais segura. Se você não sabe por que é tão relutante em cuidar melhor da sua saúde e das nossas finanças, você está disposto a tomar medidas para descobrir, pelo bem do nosso casamento?

Se você disse tudo isso e ele não foi receptivo, preste atenção nessa mensagem. Quando alguém te ouve claramente e ainda assim não parece aberto a mudar, está essencialmente te dizendo: apesar do dano que estou causando, é assim que estou escolhendo viver.

A maioria das pessoas não muda comportamentos aos quais está se agarrando porque recebeu um argumento racional. Elas mudam quando algo cria mais desconforto do que permanecer igual. Para ele, esse limite não foi ultrapassado. Mas para você, foi.

Então, vamos mudar sua pergunta de “Como faço para ele cuidar de si mesmo e do nosso futuro?” para “Já que ele não vai fazer isso, o que eu quero fazer?”

Primeiro, você pode parar de organizar sua vida em torno da esperança de que ele vai mudar e começar a fazer algumas escolhas próprias. Isso pode envolver conversar com um planejador financeiro ou advogado sobre como separar e proteger seus ativos de aposentadoria para que as escolhas dele não determinem sua segurança. Você pode esclarecer com ele o que você está e não está disposta a assumir em termos de cuidados, apoio financeiro e gerenciamento de crises decorrentes dos comportamentos autodestrutivos dele.

Você pode se retirar do que se tornou uma dinâmica de pai e filho —recuando de empurrar e resgatar para que ele possa experimentar as consequências das decisões que toma. Você pode buscar terapia ou outro tipo de apoio para ajudar a lidar com a ansiedade e o ressentimento que essa situação compreensivelmente provoca, especialmente se ele não participar de aconselhamento com você.

E você precisará refletir honestamente sobre o que consegue tolerar a longo prazo se estiver com um cônjuge que não está agindo para responder a uma questão significativa entre vocês, porque amor e compatibilidade não são a mesma coisa. Talvez vocês permaneçam na vida um do outro em um contexto diferente do casamento. Ou talvez você faça as pazes com as escolhas dele se protegendo o máximo possível e abandonando a esperança de que ele será diferente.

Quando as pessoas estão começando a namorar e esperando que o parceiro mude de certa forma, costumo dizer: “namore a realidade, não o potencial”. Esse conselho também se aplica a um relacionamento de 20 anos. Você não pode fazer seu marido escolher diferente, mas pode decidir como quer construir seu futuro em torno de uma escolha que ele já fez.

Autor: Folha

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