Gestão pública com alta aprovação popular, governador taxado de presidenciável e o comando de um estado que passou a ser referência em áreas como educação e economia. O cenário parecia perfeito para o grupo político de Ratinho Junior (PSD-PR) lançar um nome para buscar a sucessão estadual.
Enquanto isso, o senador Sergio Moro (PL-PR) procurava confirmar a pré-candidatura própria ao governo do Paraná, sem conseguir derreter a resistência da federação União Progressista, com risco de isolamento político no berço da operação Lava Jato e de ser barrado nas convenções partidárias no estado.
O fator-chave que sacudiu o coreto paranaense foi Flávio Bolsonaro. Após ter recusado o convite para ocupar a vaga de candidato a vice-presidente na chapa do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Ratinho Junior passou a ser considerado dentro do próprio partido como nome certo para a disputa presidencial, concorrendo diretamente com Flávio.
Temos um alinhamento programático com Moro, que aceitou o convite e é o nosso candidato. Ratinho Junior será bem-vindo se quiser apoiar o Moro.
Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República
Assim, o coordenador da campanha do PL, o senador Rogério Marinho (PL-RN), colocou em prática o plano de levar Moro para o PL e assegurar um palanque forte para Flávio no Paraná, o quinto maior estado em números de eleitores do país.
Marinho foi o principal responsável pela migração de Moro para o PL
Segundo apuração da Gazeta do Povo, Marinho foi o principal responsável pela migração de Moro para o PL, vencendo a resistência interna de parte da alta cúpula do partido ao nome do ex-juiz da Lava Jato. Assim mesmo, a chegada de Moro deve provocar a saída do presidente do PL no Paraná, o deputado federal Fernando Giacobo, que defendia a manutenção da aliança com o grupo de Ratinho Junior no estado.
Pré-candidato ao Senado, o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) tem potencial para assumir o comando da sigla no estado. Durante a filiação de Moro nesta terça-feira (24), Flávio adotou um tom de pacificação no discurso e disse que as divergências deveriam ser deixadas para trás, sem citar diretamente a conturbada saída de Moro do governo Bolsonaro, quando o ex-juiz ocupou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.
“Todos temos consciência plena do caminho que o Brasil precisa seguir. Por mais que a gente tenha tido alguma divergência no passado, por mais que tenha acontecido os problemas que são públicos, todos nós estamos olhando para frente e sabemos que o Brasil não aguenta mais quatro anos de PT”, disse o presidenciável.
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Apoio de Ratinho Jr. à candidatura de Moro será bem-vindo, diz Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro comentou a desistência de Ratinho Junior do projeto presidencial do PSD, o que teria inviabilizado a manutenção da aliança no estado, construída desde a vitória de Jair Bolsonaro em 2018.
“É uma grande liderança, um governador bem avaliado. Mas a decisão do partido junto com o governador foi de lançar o nome dele como pré-candidato à Presidência. Nós sempre respeitamos isso. Agora, nós temos um alinhamento programático com o Sergio Moro, que aceitou o convite e hoje é o nosso candidato. Certamente, o Ratinho Junior será bem-vindo se quiser apoiar o Moro”, afirmou Flávio.
Na avaliação do deputado federal Filipe Barros, a permanência do governador no cargo até o final do mandato, em dezembro, aponta para a “tentativa de rearranjo das forças políticas locais” diante do anúncio da filiação de Moro ao PL. Ratinho Junior ainda não anunciou o pré-candidato ao governo escolhido pelo PSD na tentativa de fazer um sucessor no Palácio Iguaçu, sede do governo paranaense.
“Ninguém esperava que ele fosse anunciar a sua desistência até porque, há três semanas, quando ele esteve em Brasília para conversar com o senador Rogério Marinho, ele foi muito firme ao afirmar que ele era pré-candidato à Presidência da República”, acrescentou Barros.
Durante o evento, o nome de Deltan Dallagnol (Novo-PR) também foi lançado ao Senado, ao lado de Barros, para as eleições de outubro, quando cada estado vai eleger dois senadores. Sergio Moro ainda levou consigo dois nomes para o PL: a deputada federal e esposa dele Rosangela Moro e o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, cotado como candidato a vice na chapa ao governo estadual.
Novo participa em peso da filiação de Sergio Moro ao PL
A presença do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol na filiação do senador Sergio Moro marca a reaproximação política dos dois principais nomes da operação que investigou os escândalos da Petrobras durante os governos petistas de Lula e Dilma. Além do simbolismo e da bandeira anticorrupção, a aliança representa um revés para o grupo político de Ratinho Junior, que contava com a pré-candidatura de Dallagnol ao Senado em uma chapa com o PSD.
O ex-procurador foi acompanhado pelo advogado e pré-candidato a deputado federal Jeffrey Chiquini, pelo vereador curitibano Guilherme Kilter e pelo presidente da sigla no Paraná, Lucas Santos, na delegação do Novo paranaense que participou do evento na sede do PL, em Brasília.
Uma das lideranças do Novo ouvida pela Gazeta do Povo classificou a saída do governo Ratinho Junior como inevitável, apesar do bom relacionamento da sigla com o chefe do Executivo estadual. Na avaliação dele, o Novo optou pela pré-candidatura de Moro no PL para manter o alinhamento com a direita conservadora no Paraná e a defesa do legado de combate à corrupção deixado pela operação Lava Jato.
Segundo o deputado federal Filipe Barros, o próximo alvo para ampliar a coligação é estreitar as conversas com a federação União Progressista. “Estamos em conversas avançadas com a federação à qual o senador Sergio Moro estava filiado. Existe uma grande chance de compor a chapa conosco”, disse Barros, que planeja levar o pré-candidato a presidente para Curitiba.
“Nós queremos levar o Flávio ao Paraná após o fechamento da janela para um grande evento em Curitiba. Assim como ocorreu aqui [em Brasília], anunciar a chapa, chamando a militância, demais forças políticas e até outros partidos que estiverem conosco”, completou.
Autor: Gazeta do Povo








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